Ciro Gomes diz que avaliará convite do PSDB para candidatura à Presidência

Ex-ministro participou de evento tucano em São Paulo e impôs prazo até maio para definir seu futuro político na disputa nacional.

Crédito: Divulgação/PSDB

O ex-ministro Ciro Gomes revelou neste sábado (25) que definirá em maio sua participação na próxima corrida presidencial. Filiado ao PSDB, o político cearense recebeu o convite diretamente de Aécio Neves, presidente nacional da sigla, durante encontro partidário em São Paulo. A decisão final divide o foco do pré-candidato com a disputa ao governo do Ceará.

A hesitação esbarra no desgaste sofrido no pleito de 2022, quando amargou o quarto lugar pelo PDT com 3% dos votos válidos. “Eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar”, afirmou Ciro Gomes a jornalistas antes de discursar no clube Juventus, na zona leste da capital paulista.

O ambiente de extrema polarização afasta o tucano de uma nova tentativa nacional. Ele confessou que a racionalidade recomenda distância da atual conjuntura. “Se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar parabéns nem para dar os pêsames”, disparou o ex-governador.

Ciro Gomes divide foco com o Governo do Ceará

O planejamento inicial apontava para o Executivo cearense. O ex-ministro justificou a manobra estadual relatando um cenário de abandono no território nordestino após a última disputa. O estado encontra-se sob forte influência do crime organizado, limitando a atuação do poder público.

A articulação local envolve arranjos complexos, incluindo uma possível aliança com o PL de Jair Bolsonaro. Grupos bolsonaristas resistem ao acordo e tentam viabilizar o nome do senador Eduardo Girão (Novo-CE). A despeito da resistência, Ciro Gomes avalia a construção de um pacto regional capaz de superar as divergências intransponíveis na política federal.

Levantamento do instituto Datafolha, divulgado em março, atesta a força política do pré-candidato na região. Ele lidera a disputa estadual com 47% das intenções de voto, contra 32% do atual governador, Elmano de Freitas (PT). O ex-presidenciável governou o estado de 1991 a 1994.

Críticas à gestão econômica e FGTS

O evento tucano focou na preparação de pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). O presidente estadual do partido, Paulo Serra, projeta o lançamento de 195 nomes para o Legislativo. Palestras sobre redes sociais e legislação eleitoral dominaram a programação matutina.

O palanque serviu para duros ataques à política econômica da atual gestão federal. O alvo principal envolveu a autorização governamental para o uso do FGTS no pagamento de dívidas financeiras das famílias. O plano nacional para exploração de terras raras, minerais essenciais para a inteligência artificial, também sofreu críticas pela falta de estruturação.

A medida trabalhista afeta diretamente a reserva financeira da população. “O FGTS, no estoque, é o último volume de dinheiro para financiar saneamento básico e moradia popular. Agora, com aplauso das centrais sindicais, esse dinheiro vai para os bancos”, criticou Ciro Gomes durante a sua fala para correligionários.

O discurso nacionalizado na capital paulista expõe a pressão interna do partido por um nome próprio na disputa majoritária. O país precisa de uma ruptura estrutural imediata, defendeu o palestrante. O cenário e o protagonismo de Ciro Gomes nas urnas serão selados de forma definitiva nas próximas semanas.

  • Publicado: 25/04/2026 14:53
  • Alterado: 25/04/2026 14:54
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FolhaPress