Alesp debate regras eleitorais e papel dos partidos políticos
Especialistas discutem o impacto de fraudes em cotas de gênero, atuação dos algoritmos e representatividade durante curso legislativo.
- Publicado: 24/04/2026 08:46
- Alterado: 24/04/2026 08:46
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Alesp
A Alesp realizou nesta quinta-feira (23) a sétima aula do curso focado nos fundamentos e desafios da democracia representativa. O encontro destacou a centralidade e a responsabilidade institucional dos partidos políticos no atual cenário eleitoral brasileiro.
O Instituto do Legislativo Paulista organizou o painel sob a mediação de Carlos Alberto de Alckmin Dutra. O procurador defendeu a importância dos espaços educacionais para a sustentação e defesa contínua do regime democrático.
“A democracia exige prática constante de inclusão e participação popular para se fortalecer”, pontuou o coordenador do evento.
Discussão na Alesp aborda fraudes e impacto dos algoritmos
A juíza eleitoral Danyelle da Silva Galvão analisou a gravidade das fraudes à cota de gênero. A legislação vigente determina o preenchimento mínimo de 30% das vagas por candidaturas femininas nas disputas eleitorais.
“O descumprimento por meio de candidaturas laranjas pode levar à cassação de toda a chapa”, alertou a magistrada substituta do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.
A dinâmica das redes sociais e o papel dos influenciadores digitais também pautaram os debates na Alesp. O controle absoluto do conteúdo eleitoral pelas autoridades judiciárias é tecnicamente inviável e pouco recomendado na internet.
Função partidária e governabilidade no país
O doutor em Direito Alexandre Jorge Carneiro da Cunha Filho argumentou que os eleitos precisam priorizar o bem comum. A atuação parlamentar não deve focar apenas na satisfação de interesses imediatos das bases eleitorais regionais.
“Historicamente, os partidos atuam como guardiões da democracia ao filtrar os candidatos aptos a disputarem cargos”, ressaltou o especialista. O sistema brasileiro veda o lançamento de candidaturas avulsas sem filiação formal.
A personalização política recebeu críticas durante a apresentação. Figuras carismáticas mobilizam eleitores através de afetos e emoções e frequentemente substituem os programas ideológicos estruturados pelas siglas.
O procurador municipal Ricardo Teixeira da Silva detalhou a origem histórica do sistema político durante a aula na Alesp. A democracia representativa surgiu do princípio da distinção para escolher representantes considerados mais qualificados.
O sistema de lista aberta permite ao cidadão votar diretamente no número da agremiação ou no candidato preferido. O formato garante a representação legislativa de múltiplas correntes de pensamento e protege diferentes grupos sociais e minorias.
A fragmentação partidária, contudo, cria obstáculos diretos ao comando do Executivo. O presidente da República precisa estruturar amplas e complexas coalizões para aprovar projetos, um tema recorrente nas formações educacionais promovidas pela Alesp.