Choque séptico tem melhor evolução com novo método
Pesquisa global com apoio do Hcor aponta redução de procedimentos invasivos e melhora clínica.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 02/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O tempo é o recurso mais escasso quando um paciente enfrenta uma infecção grave combinada com pressão arterial extremamente baixa. Esse quadro define o cenário do choque séptico, a fase mais crítica da sepse, caracterizada por uma infecção generalizada que compromete o funcionamento de órgãos vitais. A gravidade é tamanha que a taxa de mortalidade pode atingir 40%, mesmo quando o indivíduo recebe assistência médica ágil.
Buscando transformar essa realidade, cientistas de 19 nações uniram esforços para criar e validar um protocolo de atendimento personalizado. A liderança do projeto coube à Pontificia Universidad Católica de Chile, à Fundação Vale del Lili (Colômbia) e ao Hcor. Batizado de ANDROMEDA-SHOCK-2, o estudo teve seus resultados publicados no renomado periódico JAMA e foi destaque no Congresso Anual da Sociedade Europeia de Medicina Intensiva (ESICM).
O papel do Hcor e a gestão de dados
O Hcor figurou como o único hospital brasileiro a integrar essa iniciativa global. A instituição desempenhou uma função estratégica no planejamento estatístico e foi responsável pelo gerenciamento dos dados dos participantes.
O Superintendente Médico, de Ensino e Pesquisa do Hcor, Dr. Alexandre Biasi, ressaltou a importância dessa cooperação internacional para o avanço no combate ao choque séptico.
“Estamos muito orgulhosos por apoiar a Pontificia Universidad Católica de Chile e a Fundação Vale del Lili na liderança deste estudo. Foi muito gratificante ter atuado em colaboração com tantos países dispostos a encontrar um melhor tratamento para uma questão tão séria como a sepse”, afirma Biasi.
Metodologia personalizada e redução de danos
A pesquisa avaliou um total de 1.467 pacientes. A grande inovação proposta pelo estudo foi a substituição de etapas padronizadas por uma avaliação individualizada à beira do leito. O protocolo observa sinais fisiológicos básicos, como o tempo de enchimento capilar, pressão arterial, pulso, saturação de oxigênio e ultrassom simplificado.
Essa abordagem permite ajustar o tratamento em tempo real conforme a resposta do organismo, focando na recuperação da perfusão dos órgãos nas primeiras seis horas de atendimento. Segundo os pesquisadores, essa janela de tempo é crucial para reverter as consequências negativas do choque séptico.
Os resultados indicaram que a personalização da ressuscitação hemodinâmica gerou benefícios clínicos evidentes. Houve uma redução significativa no tempo de uso de terapias invasivas, como ventilação mecânica, hemodiálise e administração de medicamentos vasopressores.
Eficiência e sustentabilidade no tratamento
A aplicação de protocolos individualizados não apenas melhora o prognóstico do paciente com choque séptico, mas também torna o sistema de saúde mais sustentável ao otimizar recursos. Ao fugir do modelo tradicional “tamanho único”, a equipe médica consegue tomar decisões mais assertivas.
“Cada decisão é baseada na condição real do paciente, e isso faz toda a diferença”, reforça o especialista.
O estudo abre um novo horizonte para a medicina intensiva mundial. A conclusão é que o monitoramento estruturado de sinais simples pode transformar o desfecho de casos graves de choque séptico, diminuindo complicações severas e acelerando o processo de recuperação dos pacientes.