Centro de SP registra alta de furtos com atuação de gangues
O aumento de furtos em São Paulo, especialmente de celulares, desafia o policiamento. Apesar da queda nos roubos, comerciantes sentem insegurança.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 07/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O recente reforço no policiamento na região central de São Paulo, que inclui patrulhas da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM), não tem sido suficiente para conter as ações criminosas na área. Este fenômeno se reflete em dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado e nos relatos de testemunhas diárias sobre o aumento dos furtos, especialmente de celulares.
De acordo com os números, entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 15.226 ocorrências de furto nas áreas abrangidas pelo 1º DP (Sé), 2º DP (Bom Retiro), 3º DP (Campos Elíseos) e 77º DP (Santa Cecília), resultando em uma média alarmante de 72 casos por dia. Essa cifra representa um crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, que contabilizou 13.738 incidentes.
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No contexto mais amplo da cidade, a SSP reportou um total de 144.804 furtos nos primeiros sete meses do ano, o que também indica um aumento de 4% em comparação com os 139.107 registros do mesmo intervalo em 2024.
A SSP ressaltou sua atenção às variações nos índices de criminalidade, destacando que, apesar do aumento nos furtos, os roubos atingiram seu menor nível histórico, com uma redução de 13,6% na comparação anual para o mesmo período.
Para enfrentar os crimes patrimoniais, o governo estadual afirmou que está implementando várias estratégias. Uma delas envolve a identificação e prisão de receptadores que alimentam o mercado ilegal. Além disso, a polícia intensificou suas operações, com um total de 26.661 infratores detidos ou apreendidos na capital apenas neste ano — a maior quantidade desde 2020.
Porém, comerciantes próximos à praça Olavo Bilac, situada no bairro Campos Elíseos, relatam uma sensação contínua de insegurança devido à presença constante da chamada gangue da bike. Esses criminosos, que utilizam bicicletas e motos para realizar os furtos, aguardam oportunidades para roubar celulares das mãos dos transeuntes.
As ações ilícitas ocorrem frequentemente antes ou após a passagem das viaturas policiais pela área. Essa dinâmica contribui significativamente para o aumento das reclamações de furto. Ademais, a dispersão da cracolândia em diversas ruas do centro também parece estar relacionada ao agravamento da situação criminal.
Segundo relatos dos trabalhadores locais, não há um padrão definido para os ataques; eles podem ocorrer em qualquer dia ou horário. Para mitigar o número de vítimas, funcionários de bares e restaurantes têm adotado a prática de alertar os clientes sobre a necessidade de estarem atentos e tomar precauções ao solicitar transportes por aplicativo dentro dos estabelecimentos.
Na área do 77º DP (Santa Cecília), que está localizada a cerca de 600 metros da praça mencionada, o número de furtos aumentou em 7%, somando 2.563 queixas até agora, comparado às 2.380 do ano passado. Esse crescimento foi menos acentuado do que no 1º DP (Sé), onde as notificações passaram de 5.110 para 5.841 — uma alta de 14%. No entanto, no 3º DP (Campos Elíseos), houve um aumento significativo com 520 novas queixas (alta de 13%), enquanto o 2º DP (Bom Retiro) permaneceu estável com apenas um acréscimo de 54 registros.
Roubos
Contrapõe-se ao crescimento dos furtos uma diminuição acentuada nos roubos na região central e em toda a cidade, atingindo os níveis mais baixos desde 2001. Nas delegacias mencionadas anteriormente, foram contabilizadas 4.012 notificações — uma média de 19 roubos diários — representando uma queda significativa de 21% em relação aos registros do ano passado.
Todas as delegacias reportaram redução nos números: o 1º DP (Sé) teve queda de 12%; o 2º DP (Bom Retiro) apresentou uma diminuição impressionante de 34%; o 3º DP (Campos Elíseos) viu um recuo de 26%, enquanto o 77º DP (Santa Cecília) registrou uma diminuição nas queixas de roubo em torno de 20%.
No total da cidade, foram mais de 59 mil roubos registrados entre janeiro e julho deste ano, refletindo uma redução geral de 14% se comparado ao mesmo período do ano anterior.
A SSP informou que está realizando ações específicas para combater os crimes relacionados a celulares através das operações Mobile e Speed Bike. Essas iniciativas resultaram na prisão de 229 infratores nos primeiros sete meses deste ano e apresentaram uma diminuição expressiva — cerca de 82% — nos furtos e roubos realizados com bicicletas.
A Prefeitura Municipal também destacou suas ações estratégicas visando aumentar a segurança dos cidadãos paulistanos por meio da integração entre diferentes forças policiais e uso inteligente da tecnologia. O sistema Smart Sampa já conta com aproximadamente 32 mil câmeras instaladas na cidade — sendo parte delas pertencentes à iniciativa privada — contribuindo significativamente para a captura e detenção de criminosos.
Além disso, foram disponibilizadas cerca de 2.400 vagas para a Operação Delegada, onde policiais atuam durante suas folgas no patrulhamento das áreas mais movimentadas. Recentemente, câmeras do programa Smart Sampa foram acopladas às motocicletas da GCM para melhorar ainda mais a segurança pública por meio da leitura automática das placas dos veículos.