Rússia bombardeia prédio do governo em Kiev pela primeira vez

No domingo (7), a Ucrânia sofreu o maior ataque aéreo russo, com 810 drones e 13 mísseis. O ataque deixou cinco mortos e intensificou o conflito.

Crédito: RS/via Fotos Publicas

Neste domingo (7), autoridades ucranianas relataram um ataque aéreo sem precedentes por parte da Rússia, que utilizou 810 drones e 13 mísseis de diversos tipos. O exército ucraniano afirmou ter conseguido neutralizar 747 drones e 4 mísseis durante a ofensiva.

O ataque, considerado o mais intenso desde o início da guerra, resultou na morte de pelo menos cinco pessoas em Kiev, capital da Ucrânia. Um fato alarmante foi o bombardeio de um edifício governamental pela primeira vez; uma coluna de fumaça foi avistada saindo do prédio que abriga os gabinetes dos ministros, localizado no histórico distrito de Pechersky.

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Ainda não está claro se o edifício sofreu um ataque direto ou se foi danificado por destroços provenientes de explosões nas proximidades. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, denunciou o incidente como um “crime deliberado” e um prolongamento da guerra, ressaltando que a diplomacia poderia ter sido uma alternativa há tempos. Ele fez um apelo aos aliados internacionais para fortalecer as defesas aéreas do país.

A Rússia confirmou a realização do ataque, afirmando que as operações visavam instalações de armamento ucraniano, infraestrutura militar, aeródromos e depósitos de munição. Zelensky também mencionou uma conversa com o presidente francês Emmanuel Macron sobre a situação, indicando que ambos discutiram estratégias diplomáticas e ações conjuntas para responder ao ataque.

Macron condenou a agressão russa, caracterizando-a como um aprofundamento na “lógica da guerra e do terror”. Da mesma forma, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer expressou solidariedade à Ucrânia, afirmando que os ataques covardes evidenciam que o presidente russo Vladimir Putin não tem intenções sérias em buscar a paz.

Além dos ataques em Kiev, outras regiões da Ucrânia também foram afetadas. Cidades como Zaporizhzhia, Kryvyi Rih e Odesa registraram danos significativos. Relatos indicam que uma mulher perdeu a vida em Zaporizhzhia devido a um ataque russo e um bombardeio em Sumy deixou uma vítima fatal.

  • Conforme reportado pela agência AFP, um ataque a um prédio residencial no oeste de Kiev resultou na morte de duas pessoas, incluindo um bebê de três meses.
  • Em Dnipropetrovsk, um homem de 54 anos foi confirmado como vítima mortal dos ataques.

A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, afirmou: “Vamos restaurar os prédios danificados, mas as vidas perdidas não podem ser recuperadas. O mundo deve reagir não apenas com palavras, mas com ações concretas“.

O Ministério do Interior da Ucrânia informou que mais de 20 pessoas ficaram feridas durante os ataques na capital. Em várias áreas de Kiev, apartamentos residenciais foram danificados. Moradores se reuniram nas ruas para avaliar os prejuízos enquanto equipes de bombeiros trabalhavam para extinguir incêndios.

O porta-voz da Força Aérea da Ucrânia, Yuriy Ihnat, confirmou que este foi o maior ataque aéreo com drones desde o início da invasão russa. Embora a Ucrânia tenha conseguido abater grande parte dos drones lançados contra ela, ainda assim houve 56 ataques em 37 localidades, com nove mísseis atingindo áreas civis.

Perspectivas para Negociações de Cessar-Fogo

Este recente ataque representa uma mudança na estratégia russa, que até então havia evitado alvos centrais do governo ucraniano. A escalada das hostilidades reflete um crescente pessimismo tanto na Ucrânia quanto entre seus aliados sobre a possibilidade de uma resolução pacífica do conflito. O presidente russo Vladimir Putin continua resistente aos pedidos de cessar-fogo e fortalece suas relações com a China.

O presidente dos Estados Unidos demonstrou descontentamento com Moscou desde sua última reunião com Putin no mês passado; entretanto, ele ainda hesita em implementar sanções mais severas para pressionar a Rússia a negociar um acordo.

Ainda assim, Biden revelou estar trabalhando em garantias de segurança para a Ucrânia que poderiam facilitar o fim deste conflito devastador.

Apoios políticos e militares à Ucrânia têm sido reiterados pelos aliados europeus; no entanto, questões sobre assistência concreta, incluindo o envio de tropas ao país ainda estão sendo debatidas. Uma nova reunião entre representantes ucranianos e aliados está agendada para a próxima semana para discutir defesa aérea e fornecimento de recursos para operações contra a Rússia.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 07/09/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo