Um terço dos trabalhadores recebe até 1 salário mínimo no Brasil, indica Censo

Dados do IBGE revelam a persistente desigualdade de renda, com pardos e pretos sendo maioria na base.

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Uma análise aprofundada dos dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra um retrato desafiador do mercado de trabalho no Brasil. Segundo o levantamento, 35,3% da população ocupada recebia até um salário mínimo em 2022, o que equivale a 31,3 milhões de brasileiros com um rendimento mensal de até R$ 1.212.

Dentro deste universo, a composição racial evidencia as desigualdades estruturais do país: a maioria era composta por pessoas pardas (52,4%), seguidas por brancos (32,8%) e pretos (13,9%). Os dados, que são nominais e não consideram a inflação, oferecem um panorama da situação econômica no período pós-pandemia.

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O abismo entre as classes de renda

Os números do IBGE destacam a grande disparidade social no Brasil. Enquanto mais de um terço da força de trabalho está na faixa de renda mais baixa, apenas 7,6% dos trabalhadores conseguem rendimentos superiores a cinco salários mínimos (R$ 6.060).

Ao comparar com o Censo de 2010, a situação mostra uma estagnação preocupante. Naquele ano, 36,4% dos ocupados estavam na mesma faixa de renda. No entanto, a proporção de trabalhadores que ganhavam acima de cinco salários mínimos era maior, chegando a 9,6%, o que representa uma queda de dois pontos percentuais na camada de maior rendimento na última década.

Disparidades regionais no mapa do Brasil

O rendimento médio do trabalho no Brasil foi de R$ 2.851 em 2022. O Centro-Oeste se destacou com a maior média (R$ 3.292), impulsionado pelo agronegócio e pelo funcionalismo público. Sul (R$ 3.190) e Sudeste (R$ 3.154) também ficaram acima da média nacional. Em contrapartida, as regiões Norte (R$ 2.238) e Nordeste (R$ 2.015) apresentaram os menores valores, refletindo as desigualdades econômicas, como aponta João Hallak Neto, analista do IBGE.

Um terço dos trabalhadores recebe até 1 salário mínimo no Brasil, indica Censo
Marcelo Camargo – Agência Brasil

Especialistas analisam que a alta taxa de informalidade é um dos principais fatores para este cenário. Para Marcos Hecksher, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), “a informalidade é uma questão crônica no Brasil”.

Já Marcelo Neri, diretor do FGV Social, pondera que os dados de 2022 podem não capturar totalmente as melhorias recentes, apontando para um aumento da renda entre os mais pobres e uma escassez de mão de obra em certos setores.

O recorte racial da desigualdade salarial

A análise por cor ou raça aprofunda a compreensão das desigualdades. Os dados mostram que aproximadamente 43% dos trabalhadores pardos e pretos estão na faixa de renda mais baixa (até um salário mínimo). Em contrapartida, entre os trabalhadores brancos, esse percentual cai para cerca de 25%. A situação é ainda mais crítica para a população indígena, com quase 57% nesta categoria de rendimento.

Quando se observa a renda domiciliar per capita, a diferença persiste: a média para brancos foi de R$ 2.207 mensais, enquanto para pretos e pardos os valores foram de R$ 1.198 e R$ 1.190, respectivamente.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 09/10/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA