Patrocínios de bets no Brasileirão superam R$ 1 bilhão
Investimento em patrocínio máster cresceu 125% em dois anos com Flamengo liderando receitas no setor.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 04/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
A presença massiva das casas de apostas no futebol brasileiro consolidou uma transformação econômica sem precedentes nos clubes da Série A. Em um intervalo de apenas dois anos, o valor desembolsado para ocupar o espaço mais nobre dos uniformes — o patrocínio máster — registrou uma alta de 125%.
Segundo levantamento realizado pela agência Jambo Sport Business, o montante total investido nessa propriedade comercial saltou de R$ 496 milhões, em 2023, para impressionantes R$ 1,117 bilhão em 2025. Esse movimento retirou do protagonismo setores tradicionais, como o alimentício e o farmacêutico, que historicamente dominavam o centro das camisas.
Flamengo lidera arrecadação com contrato recorde
O Flamengo ilustra com clareza o impacto financeiro provocado pelas casas de apostas. O clube carioca, impulsionado por sua enorme base de torcedores e pelo desempenho em campo — conquistando títulos como o Brasileirão e a Libertadores em 2025 —, firmou o maior contrato da história do país.
Para a temporada de 2025, o Rubro-Negro garantiu R$ 268 milhões de uma única empresa do setor. A evolução da receita do clube com essa propriedade é notável:
- 2023: R$ 85 milhões;
- 2024: R$ 110 milhões;
- 2025: R$ 268 milhões.
Baixo custo operacional impulsiona marketing agressivo

A hegemonia das casas de apostas, que hoje estampam as camisas de 18 dos 20 clubes da Série A, é explicada não apenas pela demanda de visibilidade, mas pela estrutura financeira dessas companhias. Diferente de indústrias que dependem de logística complexa e produção física, o setor de betting possui custos operacionais reduzidos, permitindo alocar grandes fatias do orçamento em publicidade.
O especialista em marketing Idel Halfen analisa esse cenário, pontuando que o serviço oferecido é visto como uma commodity, o que torna a diferenciação um desafio.
“As marcas se empenham para se destacar por meio de ações publicitárias robustas”, afirma Halfen, justificando a necessidade de ocupar espaços de alta exposição como o peito dos jogadores.
Riscos regulatórios e cenário futuro
Apesar da bonança financeira, o domínio das casas de apostas enfrenta o escrutínio público e legislativo. O vício em jogos, tratado como questão de saúde pública, motivou debates no Congresso Nacional sobre a limitação da publicidade do setor, incluindo propostas de alertas obrigatórios sobre os riscos envolvidos.
O Brasil observa o cenário internacional com cautela. Diversos países europeus já implementaram restrições severas ou baniram a ligação entre futebol e apostas. No entanto, o forte lobby da indústria no mercado nacional ainda freia proibições imediatas.
Embora as casas de apostas tenham revitalizado o fluxo de caixa dos clubes, especialistas alertam que mudanças regulatórias podem impactar a sustentabilidade desses valores a longo prazo, exigindo que o mercado se prepare para possíveis restrições futuras.