Cão Orelha: entenda o caso completo e o que diz a lei
Entenda o caso completo da violência de quatro jovens ao Cão Orelha, caso que mobilizou o país e chama a atenção de especialistas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 28/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O caso do cão Orelha, o animal comunitário que foi morto após sofrer graves maus-tratos, ganhou um novo e alarmante desdobramento. A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) revelou que o mesmo grupo de adolescentes investigado pelo crime anterior também é suspeito de tentar afogar um cão caramelo, identificado como Cão Orelha. De acordo com os levantamentos policiais, um dos jovens teria levado o animal no colo para dentro do mar, mas o cão conseguiu escapar e sair da água.
Ação policial e mandados de busca
Na manhã de segunda-feira (26), a PCSC deflagrou uma operação para cumprir três mandados de busca e apreensão nos endereços dos suspeitos. O delegado-geral Ulisses Gabriel detalhou os alvos da ação:
- Adolescentes Identificados: Dois jovens foram alvos diretos das buscas. Outros dois integrantes do grupo estão atualmente nos Estados Unidos em uma viagem pré-programada e devem retornar ao Brasil na próxima semana para prestar esclarecimentos.
- Coação no Processo: Um dos mandados foi expedido contra um indivíduo suspeito de coagir uma testemunha, tentando interferir no andamento das investigações.
Relembre o caso do Cão Orelha
As investigações tiveram início após o choque causado pela morte do cão Orelha. O animal, que era querido pela comunidade local, foi encontrado com ferimentos tão severos que os veterinários precisaram optar pela eutanásia para interromper seu sofrimento. A crueldade do ato mobilizou a polícia a identificar os responsáveis, chegando ao grupo de adolescentes que agora responde por múltiplos episódios de violência contra animais.
“A investigação busca não apenas punir os responsáveis pelos maus-tratos, mas também garantir a integridade das testemunhas que estão auxiliando a polícia a elucidar esses crimes bárbaros”, afirmou o delegado Ulisses Gabriel.
O que diz a lei e quais as punições previstas para maus-tratos contra animais?
A investigação sobre a morte do cão Orelha, o animal comunitário brutalmente espancado na Praia Brava, em Florianópolis, trouxe à tona o debate sobre a legislação de proteção animal no Brasil. De acordo com a Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), a prática de maus-tratos contra animais domésticos é crime, mas a punição torna-se significativamente mais rigorosa quando as vítimas são cães ou gatos, graças à alteração trazida pela Lei Sansão (14.064/2020).
Punições Previstas e Diferenças Jurídicas
Para agressões contra a maioria dos animais, a pena prevista é de detenção de três meses a um ano, além de multa. No entanto, o caso do cão Orelha enquadra-se no parágrafo 1º-A da norma:
- Pena para Cães e Gatos: Reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda.
- Reclusão vs. Detenção: Ao contrário da detenção, a reclusão permite o início do cumprimento da pena em regime fechado, sendo aplicada a crimes considerados mais graves.
- Morte do Animal: No caso de morte (como ocorreu com Orelha), a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.
O caso específico dos Adolescentes (ECA)
No episódio do cão Orelha, a complexidade jurídica aumenta porque os quatro suspeitos são adolescentes. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), eles não respondem por “crime”, mas por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.
Diferente de adultos, adolescentes não podem ser presos, mas podem sofrer medidas socioeducativas determinadas pelo Poder Judiciário:
- Internação Provisória: Pode ser determinada por até 45 dias antes da sentença.
- Medidas Socioeducativas: Incluem advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida e, em casos de grave ameaça ou violência, a internação em estabelecimento educacional.
Adultos Indiciados por Coação
A Polícia Civil de Santa Catarina também detalhou nesta terça-feira (27) que três adultos — dois empresários e um advogado (pais e tio dos jovens) — foram indiciados no inquérito do cão Orelha. Eles são suspeitos de coagir testemunhas para interferir nas investigações, crime que possui tipificação própria no Código Penal.
Teoria do Elo: Especialistas destacam que a violência contra animais é frequentemente um indicador de comportamentos violentos futuros contra humanos. Dados do Ministério do Meio Ambiente indicam que 71% dos agressores de animais também cometem crimes contra pessoas.
O Cão Orelha foi torturado em 4 de janeiro e, devido a traumatismos cranianos causados por objeto contundente, precisou passar por eutanásia no dia seguinte. O grupo também é investigado por tentar afogar um segundo cachorro, o Caramelo, na mesma região.
Cenário geral de ocorrências de maus-tratos à animais no Grande ABC (2025)
- Aumento de Denúncias: Houve um crescimento estimado entre 15% e 20% no número de denúncias registradas em comparação a 2024. Isso não significa necessariamente que a violência aumentou, mas que os canais digitais e a conscientização (impulsionada por casos de grande repercussão, como o do cão Orelha) encorajaram os moradores a denunciar.
- Perfil das Ocorrências: Cerca de 70% dos casos envolveram abandono e negligência (falta de alimentação, água e abrigo), seguidos por agressões físicas e manutenção de animais em locais insalubres.
Dados por Município (Estimativas/Ações)
| Cidade | Destaque da Atuação em 2025 |
| Santo André | A Gerência de Bem-Estar Animal intensificou vistorias após denúncias pelo aplicativo Santo André Digital. |
| São Bernardo | O Centro de Reabilitação Animal (CRA) registrou alta demanda de acolhimento de animais resgatados em situações de acumuladores. |
| São Caetano | Cidade com maior índice de resolutividade, com forte atuação da GCM Ambiental em denúncias de condomínios. |
| Diadema | Foco em campanhas educativas em bairros periféricos para reduzir o abandono de ninhadas indesejadas. |
| Mauá | Aumento nas apreensões de cavalos em situação de maus-tratos em vias públicas. |
Canais para Consulta de Dados Oficiais
Se você estiver realizando um estudo acadêmico ou jornalístico, recomendo os seguintes canais para obter os números exatos por DP (Distrito Policial):
- Portal da Transparência da SSP-SP: É possível filtrar crimes contra o meio ambiente (Art. 32 da Lei 9.605/98) por seccional (Santo André e São Bernardo atendem as 7 cidades).
- Dica de Pesquisa: Verifique os relatórios anuais do Ministério Público de São Paulo (GAEMA), que atua diretamente em crimes ambientais no ABC.
Como denunciar no Grande ABC
- Delegacia Eletrônica (DEPA): Pelo site oficial da Polícia Civil.
- Linha Direta (GCM): O número 153 é o canal mais rápido para flagrantes de agressão na região.