Câncer de cabeça e pescoço: novo tratamento mostra resultados
Estudo com amivantamabe revela 76% de controle da doença em pacientes com opções limitadas de tratamento.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 21/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Sérgio Cardoso
Uma nova esperança surge para pacientes com câncer de cabeça e pescoço que enfrentam opções limitadas de tratamento. Pesquisadores do Instituto de Câncer do Reino Unido apresentaram uma “injeção inteligente” subcutânea durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) 2025, realizado na segunda-feira (20). Os dados já apontam benefícios clínicos relevantes para quem luta contra o câncer de cabeça e pescoço.
O medicamento, chamado amivantamabe, foi testado em pacientes cuja doença progrediu mesmo após tratamentos padrões, como quimioterapia e imunoterapia.
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O Estudo OrigAMI-4 e a Resposta ao Tratamento
O estudo de fase Ib/2 (OrigAMI-4) demonstrou que 76% dos participantes tiveram redução ou estabilização do carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço (CECCP), a variação mais comum da doença.
Este tipo de tumor é o sexto mais incidente globalmente, totalizando cerca de 890 mil novos diagnósticos anuais. Os principais fatores de risco incluem o consumo de álcool e tabaco, mas especialistas alertam para a ligação com o vírus do papiloma humano (HPV), além de má higiene bucal e dieta inadequada.
O ensaio clínico, que envolveu 55 centros em 11 países, mostrou uma sobrevida livre de progressão média de 6,8 meses. As respostas ao tratamento foram notadas, em média, após seis meses.
Kevin Harrington, pesquisador-chefe do estudo, destacou o impacto dos achados: “Estes resultados representam uma das taxas de resposta mais encorajadoras observadas neste cenário desafiador. A durabilidade do tratamento pode prolongar significativamente o período em que os pacientes permanecem sem progressão da doença. Isso pode sinalizar uma verdadeira mudança na abordagem ao tratamento do câncer de cabeça e pescoço, tanto em termos de eficácia quanto na prestação de cuidados aos pacientes.”
Amivantamabe: Ação Tripla do Anticorpo “Inteligente”
Desenvolvido pela Johnson & Johnson, o amivantamabe é um anticorpo monoclonal biespecífico. Ele atua de forma tripla: bloqueia as vias EGFR e MET (responsáveis pelo crescimento do tumor) e, simultaneamente, ativa o sistema imunológico para atacar as células cancerígenas.
“O amivantamabe é um medicamento ‘inteligente’, pois não apenas inibe duas vias cruciais para o câncer, mas também auxilia o sistema imunológico a realizar sua função”, explicou Harrington.
A molécula já é autorizada para um tipo específico de câncer de pulmão e também mostra potencial contra o câncer colorretal. A farmacêutica já iniciou o estudo de Fase 3 (OrigAMI-5) para expandir sua aplicação. Contudo, é crucial notar que o medicamento ainda está em pesquisa e não possui aprovação comercial no Brasil.
O estudo com amivantamabe também destacou que o tratamento para o câncer de cabeça e pescoço foi bem tolerado, com a administração subcutânea (injeção) melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Outros Avanços Apresentados no ESMO
O congresso também foi palco para outros avanços contra o carcinoma recorrente/metastático das células escamosas de cabeça e pescoço. Dados da Fulgent Genetics sobre o medicamento FID-007, em combinação com cetuximabe, foram promissores. A formulação usa nanopartículas para otimizar a entrega do quimioterápico paclitaxel (PTX).
Os resultados deste ensaio, com 39 pacientes, mostraram uma taxa geral de resposta objetiva de 51% e uma sobrevida livre de progressão mediana de 7,8 meses. O perfil de segurança foi favorável, com apenas 6% dos pacientes registrando eventos adversos graves relacionados ao medicamento.