Caminhada pela liberdade religiosa reúne 60 mil no Rio
19ª Caminhada pela liberdade religiosa reúne 60 mil pessoas em Copacabana, no Rio de Janeiro, com caravanas, grupos culturais e diferentes tradições de fé
- Publicado: 23/09/2026 14:26
- Alterado: 23/09/2026 14:26
- Autor: Carlos Enriki
A 19ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu cerca de 60 mil pessoas neste domingo (20), em Copacabana, no Rio de Janeiro. O cortejo ocupou a Avenida Atlântica entre o Posto 5 e a região do Posto 2 e da Praça do Lido, com manifestações culturais, apresentações musicais e representantes de diferentes tradições religiosas.
A programação começou pela manhã com um café da manhã no Hotel Pestana, em Copacabana, que recebeu autoridades, lideranças religiosas, representantes de movimentos sociais e integrantes da organização. Por volta das 10h, os participantes seguiram para o Posto 5, ponto de concentração da caminhada.
Segundo os organizadores, mais de 40 caravanas chegaram ao Rio para participar da mobilização. Os grupos vieram de municípios como Barra Mansa, cidades da Região dos Lagos, Magé e São Gonçalo, além de representantes de outras regiões do país.
Cortejo reúne diferentes tradições
A partir do meio-dia, os participantes começaram o percurso pela Avenida Atlântica em direção à Praça do Lido. Cerca de 26 grupos culturais fizeram parte da programação, incluindo representações de axé, Folias de Reis, afoxés e blocos afros.

A diversidade também esteve presente entre o público. Participaram da caminhada católicos, evangélicos, candomblecistas, umbandistas, espíritas, judeus, muçulmanos, representantes de tradições indígenas e pessoas sem religião.
A proposta do encontro é reunir diferentes crenças em defesa do direito à liberdade religiosa e do respeito às pessoas que seguem ou não uma tradição de fé.
Participação internacional marca edição
Entre os participantes estava a Monja Oca, de 88 anos, que viajou do Japão para participar da caminhada. Ela liderou uma comitiva de cerca de 40 integrantes do Budismo Primordial, representando a Catedral Budista de São Paulo e o Templo Budista de Itaguaí.
Para Andréa Gomes, evangélica que participou pela primeira vez do evento, a diversidade encontrada durante o percurso chamou a atenção. Moradora de Nova Iguaçu, ela esteve acompanhada da filha e da neta.
“Vim pela primeira vez, fiquei encantada com a proposta, muito bacana esse encontro”, afirmou.
Caminhada surgiu em mobilização contra intolerância
A Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa foi criada em 2008 pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP).
A iniciativa surgiu durante mobilizações contra episódios de perseguição e violência dirigidos principalmente a praticantes de religiões de matriz africana. Ao longo dos anos, o evento passou a reunir representantes de diferentes tradições religiosas e culturais.

De acordo com os organizadores, as 18 edições anteriores somaram aproximadamente 1,8 milhão de participantes. A presença de caravanas de outras regiões também contribuiu para ampliar o alcance da mobilização para além do estado do Rio de Janeiro.
Música e cultura fizeram parte do encerramento
A programação cultural ganhou destaque ao longo do percurso e terminou com apresentações de Sandro Luiz, Marquinhos de Oswaldo Cruz e da Bateria da Mangueira.
Sandro Luiz participou do encerramento após viajar de São Paulo para integrar a programação. O cantor destacou a presença dos povos de terreiro em um espaço público como a orla de Copacabana.
“Para nós, povos de terreiro, ocupar esse espaço com nossa música, nossa cultura, nossa ancestralidade e nossa espiritualidade também é um ato de resistência, de dignidade e de liberdade”, afirmou.
O artista também defendeu a continuidade da mobilização em favor do respeito entre diferentes tradições religiosas.
Lideranças religiosas participam do evento
A caminhada contou ainda com a presença de lideranças de diferentes segmentos religiosos. Entre os nomes citados pela organização estão Frei Tatá, Padre Gegê, Mãe Márcia Marçal e Mãe Conceição de Lissá.
A condução da programação ficou a cargo de Dandara Suburbana e Zilá Lima, responsáveis pela apresentação dos diferentes momentos do encontro.

Com o encerramento na região do Posto 2 e da Praça do Lido, a 19ª edição terminou após horas de programação cultural e manifestações de diferentes comunidades religiosas.
Ao longo de quase duas décadas, a caminhada passou a fazer parte do calendário do Rio de Janeiro e se tornou um espaço de encontro entre diferentes tradições. A edição deste ano reuniu participantes de diferentes cidades em torno de temas como convivência, respeito e liberdade religiosa.