Cafu César e a rede de influência entre Hortolândia e o Grande ABC

Em Hortolândia, Cafu César teria comandado prefeito e vereadores, com envio de recursos para outras cidades e apoio a aliados do ABC paulista

Crédito: (Divulgação)

Em Hortolândia, no interior de São Paulo, a rotina da cidade segue aparentemente normal. No entanto, o cenário político vive dias de tensão. A prisão do vice-prefeito Carlos Augusto César, o Cafu César (PSB), levantou suspeitas graves de corrupção, fraudes em licitações e desvios milionários envolvendo a compra de materiais didáticos para escolas públicas.

Além dele, Simone Antoniel — diretora de Gestão de Contratos da Prefeitura — também foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal.

Caso sejam denunciados e condenados, ambos poderão responder por corrupção, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação irregular e organização criminosa.

Cafu César seria o “comandante oculto” da Prefeitura

Cafu César e Zezé Gomes Hortolândia
(Divulgação/PMH)

Nos bastidores da Prefeitura de Hortolândia, Cafu César é descrito como o homem por trás do prefeito Zezé Gomes (Republicanos). Fontes políticas afirmam que ele exercia influência direta — e nada espontânea — sobre a Câmara Municipal, por meio de uma possível rede de barganhas que ainda não foi completamente detalhada.

Essa atuação, porém, não seria isolada.

Ligação com Rio Grande da Serra reforça suspeitas

Akira Auriani e Cafu César
(Reprodução/Redes Sociais)

Uma delação feita por um ex-chefe de gabinete da Presidência da Câmara de Rio Grande da Serra afirma que vereadores buscavam mensalmente dinheiro em Hortolândia diretamente com Cafu César. A delação indica que a motivação seria garantir controle político e apoio às articulações do vice-prefeito em outras cidades.

Esse relato reacendeu suspeitas de que o modo de atuação de Cafu César envolveria transferência de recursos arrecadados em Hortolândia, influência sobre vereadores e manutenção de poder através de pagamentos ilícitos.

Leia também: Cafu César e a delação que envolve Rio Grande da Serra

Gastos milionários sem rastros bancários

A investigação ganhou força após virem à tona gastos de cerca de R$ 2,3 milhões em artigos de luxo, pagos integralmente em dinheiro vivo. O padrão chamou atenção dos investigadores, que suspeitam que o montante possa ter origem em desvios de contratos da Educação.

Esse tipo de compra reforça a hipótese de que a operação do grupo buscava evitar rastros financeiros, dificultando investigações.

Migração de aliados e “bunker político”

Diversos ex-integrantes do governo Penha Fumagalli, em Rio Grande da Serra, migraram para cargos na Prefeitura de Hortolândia. Moradores afirmam que a cidade abriga um “batalhão” de funcionários do ABC paulista, operando como um possível “bunker político” coordenado por aliados do PT e da antiga gestão.

A própria ex-prefeita Penha deixou Rio Grande da Serra, e sua antiga residência estaria cercada de placas de “vende-se”.

Zezé Gomes pressionado

Com a crise, cresce o temor de que o prefeito Zezé Gomes também esteja sob investigação da Polícia Federal. A oposição levanta suspeitas de que recursos ilícitos podem ter financiado campanhas recentes na cidade.

A situação gerou tensão entre aliados e servidores próximos ao vice-prefeito. Na quinta-feira, uma reunião realizada na casa de um parente de Cafu Cérsar reuniu pessoas preocupadas com seu futuro político — inclusive familiares do vice-prefeito.

Márcio Prado (Peninha)

Márcio Prado - Peninha - Ribeirão Pires
(Divulgação)

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 24/11/2025
  • Fonte: Fever