Éric Roy: o homem que fez o Brest acreditar no impossível
Das batalhas contra o rebaixamento às noites de Champions League, o treinador transformou para sempre a história e a ambição do Brest
- Publicado: 24/06/2026 12:28
- Alterado: 24/06/2026 12:28
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
O futebol costuma ser definido por títulos, troféus e grandes noites europeias. Mas, às vezes, o legado de uma pessoa ultrapassa qualquer placar. É o caso de Éric Roy, treinador que faleceu em 17 de junho de 2026, aos 58 anos, e deixou uma marca que dificilmente será apagada do Stade Brestois, da França.
As homenagens recebidas desde sua morte refletem muito mais do que os resultados conquistados em campo. Elas representam o reconhecimento a alguém que mudou a trajetória de um clube inteiro enquanto travava uma batalha silenciosa fora dele.
O início de tudo
A história ganhou contornos marcantes logo em seu início. Em 2 de janeiro de 2023, Roy foi anunciado como novo treinador do Brest. Apenas um dia depois, recebeu o diagnóstico de câncer que acabaria custando sua vida pouco mais de três anos depois. O técnico comunicou imediatamente a situação à diretoria do clube bretão, que optou por mantê-lo no cargo e seguir adiante com o projeto. Naquele momento, poucos poderiam imaginar o que estava por vir.
O Brest não era um dos protagonistas do futebol francês. Historicamente, o clube alternava entre as duas principais divisões do país e tinha como principal objetivo garantir sua permanência na elite. Sonhar com competições europeias parecia algo distante, reservado a equipes com orçamentos muito superiores e elencos mais qualificados. Roy, porém, conseguiu transformar a realidade da equipe.
O histórico 2023/24
A temporada 2023/24 entrou para a história do clube. Sob seu comando, o Brest alcançou 61 pontos, a maior pontuação da instituição na Ligue 1, e terminou o campeonato na terceira colocação. O resultado garantiu uma classificação inédita para a Champions League e provocou uma das maiores surpresas da história do futebol francês.
Enquanto muitos tentavam encontrar explicações para o fenômeno, Roy construía sua reputação como um dos treinadores mais competentes do país. Sem estrelas de renome internacional e trabalhando com recursos limitados, ele conseguiu criar uma equipe organizada, competitiva e capaz de desafiar adversários teoricamente superiores.
O conto de fadas europeu

A Champions League de 2024/25 parecia representar o fim natural dessa história. O Brest, estreante absoluto na competição, teria pela frente clubes acostumados ao mais alto nível do futebol continental. Para muitos, a simples participação já era uma conquista. Só que, mais uma vez, Roy provou que as expectativas estavam erradas.
O clube bretão derrotou equipes como PSV e RB Salzburg, além de arrancar um empate diante do Bayer Leverkusen fora de casa. A equipe impressionou o mundo, e nem parecia que estava estreando na competição. O Brest terminou a fase de liga na 18ª posição e avançou para os play-offs do mata-mata, ampliando ainda mais uma campanha que já havia superado qualquer previsão feita no início da temporada.
A eliminação para o Paris Saint-Germain encerrou a trajetória europeia, mas não diminuiu sua importância. Naquele momento, o Brest já havia alcançado algo muito maior do que uma simples classificação. O clube havia mudado sua própria percepção sobre o que era capaz de conquistar.
Mais do que recordes, classificações históricas ou noites inesquecíveis na Champions League, Éric Roy transformou a mentalidade de uma instituição inteira. Mostrou que um clube acostumado a lutar contra o rebaixamento podia competir com alguns dos melhores times da Europa. Mostrou que limites muitas vezes existem apenas até alguém ter coragem de desafiá-los.
Se a história do futebol francês for contada nas próximas décadas, a classificação inédita do Brest para a Champions League, a campanha surpreendente na Europa e a melhor temporada da história da Ligue 1 sempre serão lembradas. E claro, ao lado de cada um desses feitos, estará o nome do homem que tornou tudo isso possível: Éric Roy.