Braskem registra EBITDA recorrente de R$ 818 milhões no 3T25
Prioridade em alto valor no Brasil garante EBITDA recorrente de R$ 818 milhões; setor químico nacional cobra agenda regulatória para a Braskem.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 11/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: MIS Experience
A Braskem, petroquímica global com forte atuação na América Latina, demonstrou resiliência operacional notável ao registrar um EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) recorrente de R$ 818 milhões no terceiro trimestre de 2025 (3T25). Este resultado representa um crescimento sequencial expressivo de 91% em comparação direta com o segundo trimestre do mesmo ano. O desempenho é atribuído diretamente à execução rigorosa do plano de gestão da companhia, com foco na priorização de vendas de maior valor agregado e na consolidação de iniciativas internas de otimização.
Em um contexto de volatilidade econômica global e com a indústria petroquímica inserida em um prolongado ciclo de baixa, a performance da Braskem ganha destaque. A empresa tem se mantido firme em seu “Programa Global de Resiliência e Transformação” para mitigar os desafios estruturais do setor. Conforme afirmou Roberto Ramos, CEO da companhia, o foco é na “geração sustentável de valor, com ênfase na maximização do EBITDA e na maior geração de caixa no curto e longo prazo”.
💪 Estratégia vencedora no Brasil impulsiona resultados da Braskem
Apesar de um cenário internacional desfavorável, o segmento Brasil e América do Sul foi o grande motor da alta de 91% no EBITDA recorrente consolidado da Braskem.
O resultado no Brasil totalizou R$ 1.115 milhões em EBITDA, um aumento de 29% frente ao trimestre anterior. Este avanço foi garantido por uma combinação de fatores estratégicos:
- Priorização Comercial: A tática de focar em vendas com maior margem de lucro e valor agregado se provou decisiva.
- Estratégia de Abastecimento: A gestão eficiente do fornecimento para o mercado doméstico.
- Iniciativas de Resiliência: A aplicação de medidas internas para garantir a eficiência operacional.
O mercado doméstico brasileiro, no entanto, enfrentou ventos contrários. A taxa média de utilização das centrais petroquímicas na região foi de 65%, uma queda em relação ao trimestre passado, motivada principalmente pela parada programada na unidade do Rio de Janeiro. Além disso, as vendas de resinas no mercado interno caíram 5%, pressionadas por um maior volume de importação de Polietileno (PE) em julho e agosto e pela menor demanda de Polipropileno (PP). Em contraste, o setor de químicos apresentou crescimento robusto, com alta de 11% nas vendas domésticas e 10% nas exportações.
🌎 Cenário Global pressionado e a importância da Agenda Regulatória
O ciclo de baixa prolongado da indústria petroquímica afetou as referências de preço internacionais, impactando os spreads (diferença entre o preço da matéria-prima e do produto final) em todos os mercados onde a Braskem atua. Houve redução nos spreads de PE, PP e PVC na América do Sul e de PP nos EUA e Europa, variando entre 4% e 14% em relação ao 2T25.
No mercado norte-americano e europeu, a taxa de utilização das plantas subiu para 79%, beneficiada pela recomposição de estoques nos EUA. Contudo, a menor demanda resultou em um EBITDA recorrente negativo de R$ 79 milhões para este segmento. O México também reportou EBITDA recorrente negativo em R$ 204 milhões, devido ao impacto da primeira parada geral de manutenção da central petroquímica, concluída em julho.
O CEO Roberto Ramos aproveitou a divulgação dos resultados para reforçar o debate sobre a competitividade nacional. Ele destacou que a indústria química brasileira opera com um nível de ociosidade de 39%, o recorde dos últimos 30 anos, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). Diante disso, Ramos ressaltou a importância de uma agenda regulatória, citando iniciativas como o PL 892/25 e medidas antidumping definitivas, como fundamentais para fortalecer a competitividade do setor de forma justa.
💰 Geração de Caixa e Dívida
Apesar da significativa melhora no EBITDA recorrente, a geração operacional de caixa da companhia ficou negativa em R$ 334 milhões no 3T25. Este resultado foi influenciado pelo aumento nas despesas com CAPEX (investimentos em bens de capital) e maiores gastos com fornecedores, parcialmente compensados por uma gestão eficaz na otimização dos níveis de estoque.
O foco da Braskem em disciplina financeira segue evidente: a dívida bruta corporativa encerrou o período em aproximadamente R$ 44,8 bilhões, mas a gestão de passivos garantiu um prazo médio de nove anos, com 69% dos vencimentos a partir de 2030.
📝 Avanço e redução de provisão no caso Alagoas
Um ponto de alívio e progresso foi o tema das atualizações referentes ao evento geológico em Alagoas. A provisão contábil para o caso encerrou o 3T25 em R$ 3,8 bilhões, o que representa uma redução de 19% em relação ao trimestre anterior (2T25).
O Programa de Compensação Financeira (PCF) da Braskem demonstra alta execução, com 99,9% das propostas de indenização apresentadas até 30 de setembro e 99,5% delas já pagas. Em relação ao plano de fechamento das cavidades de sal, das 18 priorizadas para preenchimento, seis já foram concluídas e sete estão em andamento. Nas medidas sociourbanísticas, já são 11 projetos definidos para mobilidade urbana, dos quais seis estão concluídos.