Comédia da Geopolítica Privada: sanções, memes e o palco de Brasília
STF julga Bolsonaro em meio a recados dos EUA, ironias de Moraes e narrativas que misturam diplomacia, sanção e espetáculo político
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 10/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Enquanto Brasília era palco de um julgamento digno de reality show sobre os “traidores da democracia”, não dava pra esquecer dele: Bolsonaro — e claro, o sempre os 7 de Setembro. O que sempre foi desfile militar virou uma noite de stand-up, agora com transmissão internacional e plateia julgadora. Tudo veio de fora pra dentro: clima de tensão política, fogos sincronizados e, para apimentar o roteiro, a Embaixada dos EUA soltou aquele comunicado “caliente” prometendo sanções contra Alexandre de Moraes, justo na semana do STF julgando Bolsonaro por ataques ao Estado democrático.
Surrealismo brasileiro? É só assistir: diplomatas paquerando um “vale-sanção”, fogos no céu e quem sabe, sorteio de brindes para o patriota mais barulhento da arquibancada.

Sanções dos EUA entram no roteiro da crise política
Mas afinal, o que são essas tais sanções? Nada de novidade: só aquela velha tática de governos estrangeiros que, sentindo a democracia ameaçada ou interesses contrariados, ameaçam com punições diplomáticas, econômicas ou pessoais. No caso, o recado dos EUA não foi só uma bronca protocolar — tinha aquele tom passivo-agressivo digno de filme de tribunal: “Apoiamos o povo brasileiro” (leia-se, “Mas se exagerar, vem castigo”). Ou seja, se Moraes passar do ponto, Washington promete apertar o botão: cortar laços, congelar ativos ou até proibir viagens.
Internamente, foi a senha para incendiar o debate. A oposição correu para gritar “censura internacional” e transformar Moraes em vilão de cinema, enquanto os apoiadores viram tudo como tentativa de intimidar o Judiciário e meter o bedelho no Brasil. Resultado: memes de capa preta, bigodes de vilão e Moraes versão quadrinhos pronto pra enfrentar o “eixo do mal” geopolítico.
No meio desse circo, Moraes virou astro. Imune ao roteiro escrito por diplomatas e agitadores de rede social, apresentou seu voto no STF com o mesmo entusiasmo de quem distribui brindes em festa junina: chamou Bolsonaro de chefe de organização criminosa, revirou a espionagem da Abin, relembrou a live contra as urnas, a reunião com embaixadores e o emblemático 7 de Setembro de 2021 — só faltou trilha sonora remixada com risadas de sitcom.
O auge? Quando Moraes comparou mensagens sobre as urnas a bilhetes do PCC (“mas era só o diretor da Abin mandando um ‘alô, chefe!’”), e ainda zoou o caderno de Ramagem com direito a “Meu querido diário…”.
Resultado: plenário virou open mic, entre dúvidas, risadinhas e parlamentares sem saber se anotavam, gargalhavam ou pediam um drink pra acompanhar o show jurídico.
Entre o voto no STF e o show de Brasília

Política interna e sanções externas se misturaram nesse samba do empurra: uns usam o alerta dos EUA pra denunciar abusos do STF, outros enxergam só mais pressão internacional para render uns likes e negociações.
O cidadão? Só quer saber se está vendo justiça, comédia ou um episódio novo de “Brasília: a série”.
No fim, Moraes não perdeu a piada: brincou com as anotações, ironizou a narrativa golpista e cravou que confiar em diário de terceira pessoa em live oficial é pedir demais. O julgamento terminou como começou: entre risadas discretas, ironia afiada e a certeza de que Brasília virou palco onde justiça e entretenimento se misturam — porque aqui, até sanção internacional vira piada de salão.