Brasileiros trocam universidades dos EUA por Europa e Brasil
Com exigências mais duras para vistos e aumento nos custos, estudantes brasileiros de elite consideram Europa e instituições nacionais como opções viáveis.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 31/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
As recentes políticas do governo Donald Trump, que endureceram regras migratórias e reduziram investimentos em universidades americanas, têm levado estudantes brasileiros a repensarem seus planos acadêmicos. Antes vistos como principal destino, os Estados Unidos agora competem espaço com universidades da Europa e até mesmo com instituições de elite no Brasil.
Giselle Castro, de 17 anos, estudante do Rio de Janeiro, conta que sonhava em cursar negócios em solo americano, mas hoje sua prioridade é uma faculdade europeia. Segundo ela, o custo mais acessível e a preferência dos pais influenciaram a decisão. Apesar disso, a jovem também prestará vestibular no Brasil, tendo a PUC-Rio como alternativa de “plano B”.
Instituições brasileiras sentem aumento na procura
A mudança de cenário começa a impactar as universidades nacionais. De acordo com Fernando Cesário, diretor-executivo de marketing da ESPM, a instituição já observa maior interesse entre estudantes de escolas bilíngues e internacionais. “Esse movimento deve crescer ainda mais diante das restrições impostas pelos EUA para concessão de vistos”, afirma.
O pró-reitor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Antonio Freitas, também confirma um aumento expressivo na procura. Para ele, o movimento ajuda a reter talentos: “As universidades brasileiras de excelência oferecem cursos comparáveis aos americanos. Isso contribui para evitar a chamada fuga de cérebros”, destaca.
Custos e insegurança pesam na decisão
Além do cenário político, o fator financeiro pesa. Bolsas de estudo nos EUA se tornaram mais escassas, enquanto o custo de manutenção subiu. Já na Europa, as mensalidades tendem a ser mais baixas, o que amplia o interesse de famílias brasileiras.
O estudante de 17 anos do colégio Magno, em São Paulo, que preferiu não se identificar, confirma a mudança de planos. Ele chegou a cogitar os EUA, mas após participar de um programa de verão em Milão, passou a mirar uma faculdade italiana. Ainda assim, prestará vestibulares no Brasil, como o da ESPM, para manter outras portas abertas.
Futuro acadêmico em debate
Especialistas em orientação educacional reforçam que o momento pede cautela. Fernanda Cardoso, conselheira do colégio Pueri Domus, recomenda que os alunos mantenham múltiplas opções. “É preciso estar preparado para imprevistos, como ocorreu na pandemia, quando muitos aprovados em universidades estrangeiras não puderam viajar”, lembra.
Carolina La Motta, também de 17 anos, estudante em São Paulo, resume a incerteza dessa geração. Seu foco é cursar psicologia na Europa, mas garante que também tentará universidades americanas e brasileiras. “Quero morar fora, mas não descarto estudar aqui, caso seja o melhor caminho”, afirma.