Brasil zera transmissão vertical do HIV e reduz mortalidade
Avanços no diagnóstico e no tratamento da aids fazem o Brasil atingir metas globais, eliminando a transmissão vertical
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Brasil alcançou um marco histórico na luta contra o HIV e a aids. Pela primeira vez em mais de três décadas, o número de óbitos pela síndrome ficou abaixo da marca de dez mil. Segundo o boletim epidemiológico mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde, o país registrou 9,1 mil mortes, o que representa uma queda significativa de 13% no comparativo com o período anterior, entre 2023 e 2024. Este resultado notável não apenas sinaliza a eficácia das políticas públicas, mas também aproxima o Brasil de patamares de excelência no enfrentamento à doença.
A redução expressiva dos óbitos por HIV é um reflexo direto dos investimentos contínuos em três pilares essenciais: prevenção, diagnóstico precoce e terapias de última geração. São essas tecnologias, ofertadas de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que têm permitido que o vírus se torne indetectável e, consequentemente, intransmissível (I=I) na grande maioria dos pacientes que aderem ao tratamento.
O triunfo da prevenção combinada e a queda nos casos de aids
Os esforços do Governo Federal têm se concentrado em uma abordagem multifacetada, conhecida como Prevenção Combinada. Esta estratégia vai além da distribuição tradicional de preservativos, integrando ferramentas farmacológicas cruciais que reduzem o risco de infecção pelo HIV de maneira substancial.
Uma das táticas que ganhou destaque foi a expansão da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Trata-se de um medicamento de uso diário destinado a pessoas com maior risco de exposição ao vírus. Graças à ampliação do acesso, o número de usuários da PrEP cresceu mais de 150% desde 2023. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente, fortalecendo a testagem e contribuindo ativamente para a redução de novas infecções pelo vírus da aids.
Em paralelo à prevenção, os novos casos de HIV também apresentaram uma queda, passando de 37,5 mil para 36,9 mil no último período, uma redução de 1,5%. Este dado, embora menor que a queda nas mortes, reforça a tendência positiva e demonstra que as ações de saúde pública estão surtindo efeito em toda a cadeia de contaminação e tratamento.
“Hoje é um dia de luta, mas também de conquista histórica: alcançamos o menor número de mortes por aids em 32 anos. Esse resultado só foi possível porque o SUS oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento. Os avanços também permitiram ao país alcançar as metas de eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública”, afirmou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Eliminação da Transmissão Vertical do HIV
Um dos avanços mais comemorados é a eliminação da transmissão vertical do HIV como um problema de saúde pública. Este feito significa que o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação. O Brasil atingiu integralmente as metas internacionais estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mantendo a taxa de transmissão abaixo de 2% e a incidência da infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos.
Este resultado histórico só foi possível devido à melhoria significativa na atenção materno-infantil. Os dados mais recentes revelam uma queda de 7,9% nos casos de gestantes com HIV e de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus. Além disso, o início tardio da profilaxia neonatal caiu impressionantes 54%, evidenciando a excelência no monitoramento pré-natal, na testagem para HIV e na oferta de tratamento às futuras mães que vivem com o vírus.
Diagnóstico e tratamento: o caminho para o controle do HIV
A capacidade de diagnóstico e tratamento do SUS foi crucial para estes resultados. A expansão na oferta de exames permitiu a detecção precoce e o início imediato do tratamento, que é essencial para o controle da aids. Foram adquiridos 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis (65% a mais que no ano anterior) e distribuídos 780 mil autotestes que facilitam a detecção em casa.
No quesito tratamento, o SUS fornece gratuitamente a Terapia Antirretroviral (TARV). Mais de 225 mil pessoas utilizam a moderna combinação de comprimido único de lamivudina mais dolutegravir. Essa dose diária simplificada possui alta eficácia, menor risco de efeitos adversos e favorece a adesão, melhorando drasticamente a qualidade de vida. Esses esforços aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95, que visam que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam seu diagnóstico, 95% dessas estejam em tratamento e 95% das tratadas alcancem a supressão viral. O Brasil já cumpriu duas dessas três ambiciosas metas, consolidando sua liderança global no combate à aids.