Brasil enfrenta baixa cobertura vacinal e aumento de casos de influenza

Especialistas alertam para surto alarmante e urgência na imunização

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O Brasil se depara com uma preocupante situação em relação à vacinação contra a gripe, com índices de adesão que não atingem nem mesmo 36% do público-alvo estabelecido pelo governo, que visa imunizar 90% da população prioritária. Recentemente, o país registrou um aumento significativo nas hospitalizações e mortes decorrentes da doença.

Dados atualizados indicam que a cobertura vacinal contra a influenza é de apenas 35,96%, conforme informações do painel do Ministério da Saúde. Especialistas em infectologia alertam que esta baixa taxa de vacinação está diretamente ligada ao surto de influenza que atualmente afeta o território nacional.

O boletim InfoGripe, elaborado pela Fiocruz e publicado na última quinta-feira (5), aponta que 15 estados, juntamente com o Distrito Federal, estão em níveis de alerta ou risco elevado para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O aumento das internações está associado à circulação do vírus influenza A, uma cepa que tem se mostrado bastante virulenta neste período.

A influenza, que é o agente causador da gripe, apresenta predominantemente os tipos A e B no Brasil. A vacina disponível protege contra três variantes: H1N1 e H3N2 (ambas do tipo A) e uma cepa do tipo B. O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), enfatiza que o pico de casos costuma ocorrer entre o final do outono e o início do inverno, mas a intensidade dos surtos varia conforme a agressividade das cepas em circulação.

De acordo com Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, a atual situação representa um surto significativo, com um número de casos superior ao habitual. Os profissionais da saúde concordam que a baixa taxa de vacinação contribui substancialmente para o aumento das internações.

Os grupos prioritários para a vacinação incluem crianças, gestantes e idosos acima de 60 anos, todos elegíveis para receber a vacina gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, em resposta à procura insatisfatória, algumas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, já disponibilizaram a vacina para toda a população.

Entre os estados mais preocupantes está o Rio de Janeiro, onde apenas 21,75% do público-alvo foi vacinado. Outras unidades federativas como Bahia, Maranhão, Mato Grosso e Pernambuco apresentam taxas próximas a 30%. Analisando por grupo etário, os idosos têm a maior cobertura vacinal registrada até agora (38,83%), seguidos por crianças (30,5%) e gestantes (23,35%).

O boletim InfoGripe também revela que nas últimas semanas houve uma alta considerável nos casos de SRAG em diversos estados brasileiros. Entre eles estão Acre, Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Os especialistas observam duas particularidades nesta temporada: os casos começaram mais cedo – ainda no início de maio – e apresentaram uma disseminação incomum por todo o país. Geralmente, os surtos tendem a se concentrar nas regiões Sul e Sudeste durante esta época do ano.

No contexto das internações por SRAG nas últimas quatro semanas epidemiológicas, quase 75% dos óbitos foram atribuídos aos vírus influenza A ou B. Os especialistas sugerem que uma combinação de fatores pode ter contribuído para este cenário alarmante. Entre as causas citadas estão:

  • Possíveis mutações do vírus: embora as vacinas cubram diversas variantes da influenza, alterações no vírus podem facilitar sua transmissão e aumentar a severidade da doença;
  • Mudanças climáticas: padrões climáticos atípicos podem favorecer a propagação do vírus;
  • Baixa cobertura vacinal: os índices insuficientes facilitam a circulação do vírus entre a população.

Diante desse panorama desafiador e crescente número de casos graves e internações hospitalares relacionadas à influenza, os infectologistas reforçam a urgência da vacinação. Kfouri destaca: “É crucial que todos se vacinem para reduzir a transmissão e diminuir as idas aos serviços de emergência”, enfatizando sempre a prioridade para os grupos mais vulneráveis.

Granato complementa que ainda há tempo para se vacinar: “A temporada de gripe continuará até o final do inverno; portanto, é essencial proteger-se”, especialmente os grupos de risco.

Recentemente constatou-se que a influenza é responsável por 72% das mortes relacionadas à síndrome respiratória no país.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 06/06/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo