Brasil assume protagonismo climático global em um ano de avanços e tensões

COP30 em Belém avançou em adaptação e biodiversidade, mas deixou lacunas sobre combustíveis fósseis; eventos extremos e política moldam 2026

Crédito: (Bruno Peres/ Agência Brasil)

O Brasil encerra 2025 como um dos principais protagonistas da agenda climática internacional. Sede da COP30, realizada em Belém (PA), o país concentrou atenções globais em um ano marcado por eventos extremos, avanços institucionais relevantes e disputas políticas que expuseram os limites da governança ambiental mundial. Embora tenha ficado aquém das expectativas iniciais, a conferência trouxe resultados concretos em adaptação climática, biodiversidade e financiamento, ao mesmo tempo em que deixou desafios centrais para 2026.

COP30: avanço parcial em meio a frustrações

COP30 - COP 30 - COP-30
Divulgação

A expectativa era histórica. Pela primeira vez realizada na Amazônia, a 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas reuniu governos, cientistas e sociedade civil sob a pressão de acelerar respostas à crise climática. Para o climatologista Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), a diplomacia brasileira atuou de forma consistente, mas encontrou resistências estruturais.

Apesar de propostas para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis até 2045 e erradicar o desmatamento global até 2030, os consensos não foram alcançados. Ainda assim, a COP avançou de forma concreta na agenda de adaptação, com a criação de um conselho global, um fundo específico e um sistema de identificação das necessidades nacionais, estimado em US$ 300 bilhões anuais a partir de 2026.

Oceano, natureza e adaptação ganham espaço

Lixo no Oceano - Brasil
Instituto Mar Urbano/José Kós

Entre os pontos positivos destacados por especialistas está o fortalecimento da agenda oceânica. O chamado Blue Package, com cerca de 70 soluções voltadas à redução de emissões e à proteção marinha, passou a integrar formalmente o debate climático.

Também houve avanço no reconhecimento das Soluções Baseadas na Natureza como instrumentos estratégicos para setores como saúde, agropecuária, cidades, turismo e energia. Foram aprovados indicadores do Objetivo Global de Adaptação e mecanismos para apoiar as NDCs dos países, além da meta de triplicar o financiamento para adaptação até 2035.

Petróleo, licenciamento e disputas internas

Petróleo - Brasil
Andre Ribeiro/Agência Petrobras

No plano doméstico, 2025 foi marcado por decisões controversas. A autorização do Ibama para a prospecção de petróleo na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas, reacendeu debates sobre riscos ambientais em uma das regiões marinhas mais biodiversas do planeta.

Outro ponto de tensão foi a aprovação da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental. Especialistas alertam que a flexibilização de regras, a ampliação do autolicenciamento e a redução da participação social representam riscos à proteção ambiental. Após vetos presidenciais, o Congresso derrubou parte significativa das restrições, levando o governo a avaliar a judicialização do tema.

Desmatamento em queda, mas com alertas

Desmatamento no Brasil
Arquivo/Agência Brasil

Dados do Inpe indicam redução do desmatamento tanto na Amazônia quanto no Cerrado entre agosto de 2024 e julho de 2025. Na Amazônia, a taxa foi a terceira menor da série histórica; no Cerrado, a queda ocorreu pelo segundo ano consecutivo após um longo período de alta.

Apesar do resultado positivo, especialistas alertam que biomas como Amazônia, Cerrado, Caatinga e Pantanal estão próximos de pontos de não retorno, o que reforça a urgência da restauração florestal e da conservação em larga escala.

Eventos extremos escancaram vulnerabilidades

Mapa MetSul - Tornado - Tempestade - Ciclone extratropical - Chuva
Reprodução/Metsul

O ano também foi marcado por desastres climáticos severos. Tornados no Sul do Brasil, incêndios devastadores na Califórnia e na Europa, além da continuidade do branqueamento global de corais, evidenciaram o custo humano e ambiental da crise climática.

No Brasil, apesar da redução da área queimada em relação a 2024, mais de 7 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo em 2025, com destaque para o Cerrado e a Amazônia.

O que entra na agenda de 2026

Transição Energética - Brasil
Divulgação/Ari Versiani/PAC

O próximo ano será decisivo. A transição energética deve ganhar centralidade, com a apresentação de diretrizes para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que o país enfrenta o dilema da exploração petrolífera na Margem Equatorial.

Além disso, as eleições gerais devem colocar a pauta ambiental no centro do debate político, especialmente temas como desmatamento zero, licenciamento ambiental, adaptação climática e compromissos internacionais.

No cenário global, a COP17 da Biodiversidade, na Armênia, e a conferência internacional pelo fim dos combustíveis fósseis, liderada por países latino-americanos, prometem ampliar a pressão por compromissos mais ambiciosos.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/12/2025
  • Fonte: Secult PMSCS