Brasil abre 13 pizzarias por dia, mas poder de compra diminui
Enquanto o Brasil abre, em média, 13 novas pizzarias por dia, a alta dos custos e a perda do poder de compra reduzem o consumo entre as famílias.
- Publicado: 10/07/2026 07:36
- Alterado: 10/07/2026 07:36
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O mercado de pizzarias no Brasil registra um contraste econômico marcante nesta sexta-feira (10), data dedicada ao Dia da Pizza. O país ganha cerca de 13 novos estabelecimentos do tipo por dia e atinge o menor índice de fechamentos da última década. O orçamento apertado das famílias reduz a capacidade de consumo do prato tradicional, afetando principalmente os lares de menor renda.
Índice Mozarela reflete desafios no mercado de pizzarias
A Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) desenvolveu o Índice Mozarela para medir o poder de compra da população paulistana. O levantamento indica que metade dos distritos da capital conseguia comprar 131 unidades por mês em 2021 com o rendimento médio. O número caiu para a mediana de 120 em 2025.
São Paulo concentra a maior fatia do mercado de pizzarias nacional e funciona como o principal termômetro do segmento. A alta nos preços reflete o aumento dos custos de insumos básicos de produção. A muçarela, ingrediente central das receitas, acumulou um salto de quase 40% nos últimos quatro anos.
Os rendimentos dos trabalhadores não acompanharam o avanço do custo de vida. “Vivemos um período de baixo crescimento econômico, e isso acaba pressionando o orçamento das famílias, sobretudo das que têm menor renda”, explicou Rodolfo Ribeiro, pesquisador do estudo.
Desigualdade de consumo e precificação nos bairros
A dinâmica econômica da atividade varia de forma drástica entre as regiões da capital paulista. Moradores de Alto de Pinheiros conseguem adquirir 313 pizzas mensais, o maior patamar do município. Consumidores de Anhanguera limitam seu potencial a apenas 73 unidades no mesmo período de tempo.
A precificação acompanha essa disparidade territorial. Bairros como Pinheiros, Moema e Jardim Paulista comercializam os produtos mais caros, com medianas de R$ 102,59, R$ 95,53 e R$ 93,49. Áreas periféricas como Pedreira, José Bonifácio e Vila Jacuí registram os menores valores, variando entre R$ 39,74 e R$ 41,15.
A concorrência nas extremidades da cidade ocorre estritamente pelo valor final cobrado do cliente. Os empresários operam com margens estreitas e possuem pouco espaço financeiro para investir em ingredientes premium.
“O orçamento das famílias é muito limitado, então o preço baixo é fundamental para a venda. Isso faz com que os preços entre diferentes pizzarias variem muito pouco entre si”, detalhou Ribeiro. O pesquisador acrescenta que regiões de alta renda oferecem liberdade para testar novos formatos comerciais.
Expansão acelerada do mercado de pizzarias no Brasil
A pressão sobre a renda não paralisou os investimentos no setor de alimentação fora do lar. A Associação Pizzarias Unidas (Apubra) aponta que o país encerrou 2025 com 40.332 operações ativas, um salto de 10,29% em relação ao ano anterior. O número de empresas que fecharam as portas caiu 43,8%, somando 2.969 encerramentos definitivos.
O ritmo de aberturas ganhou ainda mais força nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e maio, empreendedores inauguraram 1.990 negócios focados na redonda, um avanço de 6,1% sobre o mesmo intervalo do ano passado. O índice representa a criação de uma nova loja a cada duas horas.
“Esse comportamento reforça a maturidade do segmento e a confiança dos empresários, que seguem investindo mesmo em um cenário econômico desafiador”, avaliou Gustavo Cardamoni, presidente da instituição representativa.
O Sudeste ainda concentra 51% do setor nacional, mas a descentralização ganha força rapidamente. Três em cada quatro inaugurações deste ano ocorreram fora do território paulista. As regiões Norte e Nordeste lideram a expansão proporcional e confirmam a consolidação da atividade longe dos eixos tradicionais.
A profissionalização da gestão dita os próximos passos do mercado de pizzarias para garantir a sobrevivência das novas operações. A queda nos fechamentos reflete um preparo maior de quem decide apostar no segmento, unindo profundo conhecimento local e estratégias claras de diferenciação para manter o crescimento sustentável.