Bolsonaro é mantido preso na PF e não mandado para Papuda por Moraes
Entenda os motivos que levaram o STF a evitar a transferência do ex-presidente para o presídio comum
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 25/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continuará detido nas dependências da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A manutenção do político na sede da corporação, em vez de uma transferência imediata para o sistema prisional comum, atende a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi confirmada na terça-feira, 25, dias após a prisão efetuada no sábado, 22, no âmbito das investigações sobre uma suposta trama golpista.
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Estratégia de discrição e segurança
Desde o momento da detenção, a Polícia Federal implementou um protocolo rigoroso para garantir a discrição dos procedimentos. Ao contrário de operações passadas, não houve divulgação de imagens do transporte de Bolsonaro para a carceragem. Essa postura reflete uma estratégia institucional voltada para o baixo perfil e a manutenção da ordem pública.
Na segunda-feira, 24, as autoridades realizaram a troca da película da porta da cela, visando bloquear a visualização interna e resguardar a imagem pública do ex-mandatário. A atual gestão da PF busca evitar a repetição do cenário vivenciado em 2018, durante a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, quando aglomerações e tensões políticas marcaram o evento.
Envolvimento militar e articulações
A cautela com a condução do processo não se restringe ao Judiciário. O comandante do Exército, Tomás Paiva, reuniu-se com Moraes no dia 17, na presença do ministro da Defesa, José Múcio, solicitando que militares investigados no mesmo inquérito não fossem algemados.
Nesse contexto, aliados da gestão de Bolsonaro, como os generais Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, cumprirão suas medidas restritivas em unidades militares, evidenciando a complexidade institucional do caso.
Prisão preventiva e risco de fuga
A decisão de Moraes pela prisão preventiva ocorreu de forma gradual. Inicialmente, foram impostas medidas cautelares diversas da prisão. Contudo, infrações como o uso indevido de redes sociais e a organização de manifestações próximas à sua residência levaram o magistrado a endurecer o tratamento.
Embora Bolsonaro esteja atualmente sob custódia na PF, a transferência para a Penitenciária da Papuda permanece como uma possibilidade caso ocorram novos incidentes. O retorno ao regime de prisão domiciliar foi descartado pelo STF no momento. A justificativa baseia-se em tentativas anteriores de violação da tornozeleira eletrônica por parte do ex-presidente, o que a corte interpretou como um risco significativo de fuga.