Bolsonaro envia carta à Flávio dizendo que é seu "porta-voz"
Em carta, Jair Bolsonaro pede união e define Flávio Bolsonaro como porta-voz; senador aponta boicote interno e cita conflito com Michelle
- Publicado: 11/07/2026 13:50
- Alterado: 11/07/2026 13:50
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: ABCdoABC
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), apresentou publicamente neste sábado (11/07) uma carta escrita por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento faz um apelo direto aos aliados políticos para que superem divergências internas com foco na disputa pelo Poder Executivo federal.
Na carta manuscrita, o ex-presidente, que cumpre prisão em regime domiciliar e permanece sem acesso às redes sociais, reforça a liderança do filho na construção da candidatura da oposição.
“Escrevo em um momento de decisão para todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro”, diz o texto assinado pelo ex-mandatário.
Papel de interlocução na oposição
O ex-presidente também utilizou o documento para chancelar a autoridade política do senador dentro do partido, classificando-o como sua principal voz pública no atual cenário.
“Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, concluiu o ex-presidente.
Ao comentar o posicionamento do pai, Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com a falta de engajamento de setores aliados e mencionou a existência de resistências internas aos seus planos eleitorais.
“Fica-se muita especulação acontecendo, muitas pessoas que parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para a rua para resgatar o Brasil”, afirmou o parlamentar.
O congressista ressaltou que a definição de seu papel central visa centralizar o discurso da legenda. Segundo Flávio Bolsonaro, a indicação é fundamental “para evitar que existam aí falas conflituosas ou direções diferentes que alguém, por ventura, possa estar seguindo paralelo a nossa campanha”.
Divergências no PL e saída de Michelle de ala partidária
A manifestação da liderança do PL ocorre após episódios de desentendimento público entre Flávio Bolsonaro e sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O atrito teve origem em divergências sobre as articulações políticas e acordos de apoio no estado do Ceará, envolvendo o ex-ministro Ciro Gomes.
Em vídeos publicados nas redes sociais no mês anterior, Michelle criticou a postura do enteado durante as negociações.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem”, relatou a ex-primeira-dama na ocasião.
Na época do ocorrido, Flávio Bolsonaro utilizou seus canais digitais para responder aos questionamentos e tentar acalmar o ambiente partidário.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher”, declarou o senador.
Após o tensionamento, Michelle Bolsonaro anunciou o desligamento da presidência do PL Mulher, justificando que a saída ocorreu para que pudesse se dedicar integralmente aos cuidados de Jair Bolsonaro.