Bolsonaro prestará depoimento ao STF pela primeira vez sobre tentativa de golpe

Ex-presidente será interrogado por Alexandre de Moraes; julgamento do núcleo central do caso começa nesta segunda

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A partir desta segunda-feira (9), o Supremo Tribunal Federal inicia a fase de depoimentos dos principais acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre os réus está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que prestará depoimento pela primeira vez diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.

Moraes, que foi alvo frequente de críticas do ex-presidente durante seu mandato, estará à frente da oitiva no STF, que terá estrutura adaptada para simular um tribunal do júri. Os depoimentos ocorrerão até sexta-feira (13) e serão transmitidos ao vivo pela TV Justiça.

Estrutura do julgamento e a presença de aliados

A sessão contará com a presença dos oito réus apontados pela Procuradoria-Geral da República como líderes do núcleo da trama golpista. Eles ficarão dispostos lado a lado, em ordem alfabética, entre o plenário dos ministros e a plateia. Bolsonaro será posicionado entre o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, e Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e atual deputado federal.

O primeiro a ser ouvido será o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e autor de uma delação premiada que embasou a acusação da PGR. Segundo Cid, Bolsonaro teria convocado lideranças militares para discutir formas de reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Acusações e estratégia da defesa

Bolsonaro e seus aliados respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado democrático de Direito, associação criminosa armada, danos ao patrimônio público e incitação aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A denúncia sustenta que o grupo tentou impedir a posse de Lula por meio de medidas como a elaboração de minutas de decretos de intervenção e articulações com chefes das Forças Armadas.

A defesa do ex-presidente nega qualquer participação em atos ilícitos e critica a condução do processo, especialmente o ritmo acelerado imposto por Moraes. Os advogados alegam dificuldades para analisar os 77 terabytes de arquivos da investigação, muitos deles corrompidos ou protegidos por senha.

Bolsonaro já afirmou que pretende responder às perguntas do STF e convocou seus apoiadores a acompanharem o depoimento, que chamou de “inquisição”. Ele diz que apresentará sua versão dos fatos e reforça sua inocência.

STF busca acelerar julgamento

A intenção do Supremo é concluir o julgamento do núcleo central ainda em 2025, antes que o processo seja impactado pelas eleições de 2026. Ministros indicam nos bastidores que a celeridade visa garantir que o caso seja julgado com isenção, longe de disputas eleitorais.

Enquanto isso, cresce a expectativa sobre os depoimentos desta semana e o impacto político e jurídico das falas dos principais acusados. O resultado pode ser decisivo para o futuro político de Bolsonaro e seus ex-ministros.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 08/06/2025
  • Fonte: Sorria!,