Black Friday no ABC: como a região se prepara para gastar em 2025
Pesquisa indica movimentação de R$ 466 milhões no Grande ABC e consumidor mais consciente
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 27/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Black Friday se consolidou no Brasil como uma das datas mais importantes do varejo, movimentando milhões e colocando o consumo em destaque, especialmente nos setores de eletrônicos, vestuário e serviços. Mesmo com o avanço do comércio digital, o consumidor tem reafirmado o desejo por experiências presenciais. No Grande ABC, shoppings, outlets e centros comerciais já se preparam para receber esse público, motivado pela proximidade com São Paulo e pela busca por promoções que realmente valham a pena.
Nos últimos anos, a regionalização do consumo ganhou força: moradores de cidades como Santo André, São Bernardo e São Caetano têm preferido comprar perto de casa, seja para evitar deslocamentos longos até a capital, seja para usufruir de ambientes amplos, seguros e com opções de lazer integradas. A Black Friday, que entrou definitivamente no calendário brasileiro em 2017, agora é também uma data de entretenimento e convívio social.
E o quanto o ABC está se preparando para esse momento? De acordo com levantamento do Centro de Inteligência de Mercado da Strong Business School em parceria com a Associação Comercial e Indústrial de Santo André (ACISA), a Black Friday 2025 deve movimentar R$ 466 milhões no Grande ABC, crescimento real de 3,3% em relação ao ano passado. O consumidor está otimista, mas mais exigente do que nunca.
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Quem é o consumidor do ABC na Black Friday?
A pesquisa mostra que as mulheres representam mais de 60% dos consumidores e têm papel decisivo nas compras da família. Ainda que planejem gastar em média R$ 760, 25% menos do que os homens, elas estão mais atentas ao planejamento e ao custo-benefício.
Grande parte da amostra possui renda entre dois e cinco salários-mínimos, perfil que reforça o foco no gasto consciente. Para Alexsandro Monteiro, economista especialista em varejo e inovação, o momento é de cautela moderada:
“Não é aquela Black Friday da euforia descontrolada, mas também não é um consumidor totalmente travado.”

Essa mudança comportamental tem relação com o uso do smartphone como ferramenta de pesquisa e comparação em tempo real: o consumidor entra na loja física com o celular na mão e verifica histórico de preços, avaliações e condições de pagamento. Monteiro destaca que o mobile não é inimigo do comércio físico, mas um aliado de quem está preparado:
“O cliente entrar na loja com o celular na mão, comparando preço em tempo real, não é um problema em si. Pelo contrário: ele já vem mais informado, mais decidido, e isso encurta a jornada de compra.”
O que o público quer comprar?
O estudo mostra que a Black Friday deixou de ser exclusiva de eletrônicos. Hoje, o varejo de moda domina as intenções:
- Vestuário, calçados e acessórios: 26%
- Perfumes e cosméticos: 15%
- Eletrodomésticos e itens de tecnologia: pouco mais de 12%
- Brinquedos: quase 10%
- Maquiagem: 7%
- Celulares: 3%
Ou seja: há espaço tanto para reposição quanto para indulgência, compras desejadas ao longo do ano e que encontram na data a oportunidade para realização.
No Outlet Premium Imigrantes, um dos destinos mais procurados da região, a expectativa é positiva. Thiago Braga, diretor de marketing da General Shopping & Outlets, explica o que motiva o consumidor do ABC a preferir a loja física ao e-commerce:
“O consumidor quer mais do que preço: ele a experiência de compra completa. No Outlet Premium Imigrantes, ele encontra marcas desejadas, descontos reais e um ambiente agradável para passear com a família e amigos — algo que o online não oferece.”

Black Friday e o Natal
A data é também um termômetro para o fechamento do ano no varejo. 65% dos consumidores do ABC pretendem antecipar compras de Natal, e esses gastos devem representar 60% de tudo o que será consumido na Black Friday.
O gasto médio previsto é de R$ 923, mas essa média muda conforme a renda:
- Até 5 salários-mínimos: consumo médio de R$ 585
- Acima de 5 salários-mínimos: ultrapassa R$ 1.330
Ao mesmo tempo, o cartão segue como principal meio de pagamento (62%), embora o Pix ganhe força com descontos agressivos. Mas nem sempre vale a pena comprometer a reserva financeira, como alerta Monteiro:
“Não vale sacrificar reserva de emergência por causa de desconto. Se o pagamento à vista no Pix significa esvaziar a reserva ou deixar o orçamento muito apertado nos meses seguintes, o parcelamento sem juros costuma ser uma escolha mais saudável, mesmo que o valor total fique um pouco maior”
Consumidor mais atento contra a “Black Fraude”

A desconfiança com promoções falsas se tornou parte do comportamento do brasileiro. O meme virou hábito de checar preço, histórico e reputação da loja antes de qualquer decisão.
No caso do varejo físico, shoppings e outlets estão investindo em mecanismos de transparência. Braga reforça:
“Trabalhamos com um rígido controle de preços e acompanhamento das campanhas de cada marca. As ofertas são verificadas e comunicadas com clareza, garantindo descontos reais e credibilidade junto ao consumidor.“
A conduta vale também para o digital: marcas investem em segurança e análise de comportamento, mas o consumidor ainda é o primeiro filtro, evitando ofertas milagrosas, urgências exageradas e sites sem informações claras.
Experiência no centro da estratégia
Mesmo com o poder do digital, a ida ao shopping não se limita a comprar: envolve gastronomia, lazer e convivência. O varejo do ABC está apostando justamente nessa soma de conveniência e entretenimento para atrair quem poderia comprar com um clique.
E esse movimento deve seguir firme, segundo Braga:
“A Black Friday serve como um ótimo termômetro, e tudo indica um fechamento de ano positivo. O varejo está aquecido, e o público mais presente e confiante deve impulsionar também as vendas de Natal.”
O comércio local percebe que a melhor estratégia não é apenas baixar preços, mas construir confiança e oferecer boas experiências.
A Black Friday na região não é mais impulso: é racional, informada e conectada, sem abrir mão do prazer de comprar.
Se a expectativa de movimentar quase meio bilhão de reais se confirmar, a data deve novamente provar que se tornou um dos pilares para o varejo regional e nacional, mantendo shoppings e outlets do Grande ABC como destinos importantes para quem quer economia, mas também quer viver o momento.