Billings reforçará segurança hídrica de SP com nova obra
Interligação com Alto Tietê levará 4 mil litros por segundo à Grande SP. Obra de R$ 1,4 bi termina em 2027 e beneficia 22 milhões.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Considerada vital para o futuro do abastecimento em São Paulo, a represa Billings assume protagonismo central no Plano de Segurança Hídrica estadual. A interligação com o sistema Alto Tietê, iniciada em janeiro, promete transformar a distribuição de recursos naturais na região e deve ser entregue à população em 2027.
O projeto permitirá a captação de até 4 mil litros de água bruta por segundo no braço do Rio Pequeno, localizado em São Bernardo do Campo. Essa água será bombeada diretamente para a represa Taiaçupeba, fortalecendo o Sistema Integrado Metropolitano que atende cerca de 22 milhões de pessoas.
Com um investimento robusto de R$ 1,4 bilhão, a iniciativa visa mitigar os riscos de desabastecimento em uma das regiões mais populosas do país.
Billings supera Cantareira em capacidade de armazenamento
Um dado técnico surpreende quem analisa o cenário hídrico paulista: a Billings possui, sozinha, maior capacidade de reservação do que todo o Sistema Cantareira somado. Enquanto o Cantareira depende de cinco represas interligadas, o manancial da zona sul oferece um volume único e massivo.
Confira o comparativo de capacidade total segundo a Sabesp:
- Represa Billings: 1,13 trilhão de litros.
- Sistema Cantareira: 982 bilhões de litros (soma de Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro).
As mudanças climáticas, que tornaram as chuvas mais irregulares e pulverizadas, reforçam a importância estratégica desse reservatório. A localização geográfica da Billings favorece a captação natural por estar próxima à Serra do Mar, recebendo um volume pluvial superior ao das represas do Alto Tietê.
Além da pluviosidade, a morfologia da represa ajuda. Por ser plana e ter mais de 100 km de extensão, ela otimiza a coleta de águas da chuva em uma área vasta, aumentando a segurança operacional do sistema.
Eficiência energética e proximidade
A geografia também joga a favor da economia dos cofres públicos. Situada nos limites da capital, a represa apresenta pouco desnível topográfico em relação a outras fontes de abastecimento.
Isso reduz drasticamente os custos com energia elétrica para bombeamento e simplifica as obras de engenharia. Operar na Billings é financeiramente mais eficiente do que buscar água em regiões distantes da Grande São Paulo.
Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, destaca o impacto social da medida:
“A ampliação da captação da represa vai fortalecer o Sistema Integrado Metropolitano e garantir segurança de abastecimento para todas as famílias que vivem na Grande São Paulo.”
O cenário de escassez e novos investimentos
A Região Metropolitana de São Paulo convive com um desafio histórico. A disponibilidade de água per capita é extremamente baixa, girando em torno de 143 m³/s por habitante ao ano. Esse índice é comparável a regiões semiáridas e fica muito abaixo do recomendado por órgãos internacionais.
O ano de 2025 ilustrou a gravidade do problema, marcando uma das piores estiagens da última década. Índices pluviométricos ficaram entre 40% e 70% abaixo da média, reduzindo drasticamente as vazões afluentes.
Para reverter esse quadro de vulnerabilidade, o novo contrato da Sabesp prevê a universalização do saneamento. O plano estipula o investimento de R$ 70 bilhões até 2029 para garantir oferta de água e tratamento de esgoto em todo o estado.
Somente em 2025, o setor recebeu o maior aporte financeiro da história: foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela companhia, um valor 120% superior ao registrado no ano anterior.
Esses recursos são fundamentais para viabilizar obras estruturantes como a interligação. Com planejamento de longo prazo e execução acelerada, o governo estadual espera que a plena utilização do potencial da Billings seja o divisor de águas para a sustentabilidade hídrica de São Paulo.