Billings recebe ação de limpeza em área sensível da represa
Mutirão na Ilha do Bororé reuniu voluntários e recolocou em pauta a preservação de um reservatório essencial para a Grande São Paulo
- Publicado: 27/03/2026 13:30
- Alterado: 27/03/2026 13:30
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Emae
A Represa Billings voltou ao centro do debate ambiental nesta sexta-feira, após uma ação de limpeza reunir moradores, estudantes e representantes de instituições públicas na Ilha do Bororé, na zona sul da capital. A mobilização foi organizada pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) em parceria com a Casa Ecoativa e teve participação voluntária de colaboradores da companhia e da comunidade local.
A atividade, que aconteceu nas margens da represa, não se limitou à retirada de resíduos. Ela evidenciou um problema recorrente em uma das áreas mais sensíveis da metrópole. A Billings segue sendo essencial para o funcionamento urbano da região, mas convive com descarte irregular de lixo, pressão da ocupação e desafios permanentes de preservação.
Ao reunir diferentes atores em torno do reservatório, a ação também trouxe de volta uma discussão que costuma aparecer apenas em momentos de crise. Fora desses períodos, a degradação avança de forma silenciosa, sem a mesma visibilidade pública.
Represa Billings mantém papel central na vida da metrópole

Com mais de 100 quilômetros quadrados de área e capacidade superior a 1 bilhão de metros cúbicos de água, a Represa Billings ocupa uma posição estratégica na Região Metropolitana de São Paulo. O reservatório está presente em sete municípios e influencia diretamente a dinâmica urbana, ambiental e econômica do território.
Durante a ação, o diretor-presidente da Emae, Rafael Strauch, afirmou que “o Reservatório Billings completou 100 anos no ano passado e continua sendo fundamental para a Região Metropolitana de São Paulo”, ao relacionar a preservação do espaço à participação direta da população.
Hoje, a Billings cumpre múltiplas funções. Além de contribuir para o abastecimento de água, ela atua no controle de cheias, sustenta o transporte por balsas e abriga áreas de lazer distribuídas em seu entorno. O reservatório também passou a integrar iniciativas ligadas à geração de energia limpa, como a usina fotovoltaica flutuante instalada sobre a lâmina d’água, que reúne milhares de painéis solares em operação.
Esse conjunto de funções mostra que a Billings deixou de ser apenas um ativo energético e passou a ocupar um papel estrutural na organização da metrópole.
Pressão urbana exige respostas contínuas e não pontuais

A mobilização na Ilha do Bororé reforça um ponto recorrente entre especialistas e gestores. A preservação da Billings depende de ações contínuas e articuladas. Iniciativas pontuais ajudam a chamar atenção, mas não resolvem os problemas estruturais que afetam o reservatório.
Ao comentar a transformação do papel da represa ao longo do tempo, Rafael Strauch afirmou que “a Billings nasceu com a missão de gerar energia, mas passou a desempenhar um papel muito mais amplo para São Paulo e toda a região metropolitana”, ao destacar sua relação com abastecimento, mobilidade e proteção ambiental.

Durante períodos de chuva intensa, a represa também é utilizada em operações de controle de cheias, com a transferência de águas do Rio Pinheiros para reduzir riscos de transbordamento em áreas urbanas. Ao mesmo tempo, projetos de recuperação ambiental vêm sendo implementados, como o plantio de milhares de mudas ao longo de suas margens e de áreas conectadas ao sistema hídrico.
A atividade contou com apoio de diferentes órgãos públicos e instituições, ampliando o alcance da mobilização. Participaram representantes da administração regional, equipes de secretarias municipais, integrantes da Guarda Civil Metropolitana Ambiental e profissionais ligados à área ambiental.