Bia Figueiredo é a primeira mulher a vencer no Rally do Jalapão
Piloto paulista e o navegador Beco Andreotti venceram a competição de rali raid após quatro dias de disputas intensas no Tocantins.
- Publicado: 26/06/2026 08:07
- Alterado: 26/06/2026 08:07
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Ford
A piloto Bia Figueiredo conquistou o título da categoria Carros no Rally do Jalapão de 2026, tornando-se a primeira mulher a vencer uma etapa do Campeonato Brasileiro de Rally Raid. Ao lado do navegador Beco Andreotti, ela completou os mais de 1.300 quilômetros de prova no Tocantins com o tempo acumulado de 11h11m07s69. A vitória inédita ocorreu após quatro dias de competição em terrenos arenosos e desafiadores da região norte do país.
A 12ª edição do evento contou com cerca de 800 quilômetros de trechos cronometrados, divididos em um roteiro entre as cidades de Palmas, Lizarda e São Félix do Tocantins. Conhecida por sua trajetória na Copa Truck, Stock Car Brasil e Indy Lights, a competidora estreou na modalidade off-road enfrentando a falta de conhecimento prévio sobre o veículo e sobre a condução em dunas de areia.
Desafios técnicos no Rally do Jalapão
Essa transição das pistas de asfalto para a terra exigiu adaptação rápida da desportista. O protótipo utilizado pela equipe Sizmic Racing, montado pela NWM Motorsport, trazia uma configuração de chassi tubular impulsionada por um motor Ford V8 5.0 da linha Coyote V8 do Mustang.
“Eu só tinha experimentado off-road em trajetos curtos. Foi meu primeiro rali completo e achei animal, muito difícil. A primeira meta era não sofrer acidentes, já que historicamente os carros capotam nesse tipo de prova com curvas rápidas”, revelou Bia Figueiredo. A atleta complementou que a estratégia envolveu manter um ritmo constante para evoluir diariamente sem assumir riscos desnecessários.
O controle preciso garantiu a liderança geral na categoria. Para superar as adversidades geográficas do Rally do Jalapão, o entrosamento com o navegador foi determinante para a manutenção das velocidades elevadas em corredores de vegetação nativa do cerrado.
“Não é fácil andar a 170 km/h na areia com árvores do lado. O Beco me ajudou muito a manter o limite do carro”, avaliou a competidora. Ela registrou agradecimentos à escuderia pela oportunidade de estrear no topo do pódio.
Manutenção mecânica e superação na maratona
O período de maior desgaste ocorreu na etapa maratona, período em que o regulamento proíbe a assistência externa de equipes de apoio. Uma pedra rasgou a coifa do veículo, forçando a dupla a realizar o conserto mecânico no meio da trilha de forma autônoma.
Essa engenharia suportou os trancos severos do relevo mapeado pelo Rally do Jalapão. Fora do roteiro automobilístico, o time superou imprevistos logísticos com acomodações locais antes de assegurar o troféu de primeiro lugar.
O navegador Beco Andreotti, detentor de seis títulos na prova e quatro no Rali dos Sertões, elogiou o desempenho técnico da parceira de equipe. “Foi uma prova muito dura e ela mostrou que é uma piloto extraordinária, com vontade de evoluir e aprender. Foi aumentando o ritmo e levou o carro no limite com segurança”, ressaltou o navegador.
Os dados do conjunto mecânico sul-africano confirmaram a confiabilidade estatística superior a 97% em taxas de conclusão de etapas. Com este resultado histórico no Rally do Jalapão, a categoria abre caminhos para uma maior inserção e representatividade feminina no topo das competições de automobilismo fora de estrada.