Banco de Olhos de Sorocaba assume estão da UPH Zona Oeste em meio a investigação

Mudança ocorre após rompimento de contrato com a outra gestora, a Iase (antiga Aceni), que é alvo de uma investigação da Polícia Federal desde 2022.

Crédito: Prefeitura de Sorocaba/Divulgação

Neste domingo (25/05) o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) iniciou a gestão da Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da Zona Oeste, substituindo o Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase), anteriormente conhecido como Aceni. A mudança ocorreu após a Prefeitura de Sorocaba romper o contrato com a antiga gestora, que está sob investigação pela Polícia Federal.

A prefeitura garantiu que a transição não afetará os atendimentos aos pacientes e visa aprimorar a qualidade dos serviços prestados à população. No que diz respeito aos colaboradores que trabalhavam sob a antiga administração, informações divulgadas pela administração municipal indicam que o BOS está em processo de seleção, com chances de recontratação dos profissionais já atuantes na unidade.

Recentemente, no dia 8 de maio, houve uma paralisação por parte dos funcionários devido ao atraso no pagamento dos salários pela gestão anterior. A prefeitura esclareceu que os valores devidos foram transferidos ao sindicato da categoria, o Sinsaúde, que será responsável por realizar os repasses aos trabalhadores.

A proposta legislativa que possibilitou a parceria entre a prefeitura e o BOS foi aprovada pela Câmara Municipal de Sorocaba em 29 de abril. Conforme os termos do acordo, as atividades financeiras da nova gestão estarão sob supervisão da Controladoria Geral do Município. O BOS se comprometeu a fornecer relatórios mensais sobre seu desempenho e, trimestralmente, um relatório mais detalhado contendo diagnósticos e sugestões para intervenções com base nos indicadores assistenciais. Além disso, o texto legislativo contempla a adequação orçamentária necessária para o bom funcionamento da unidade.

O Banco de Olhos possui experiência anterior na administração de unidades de saúde, tendo gerido a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Éden entre 2015 e 2018. A UPH Zona Oeste, situada na Avenida General Carneiro, atende aproximadamente 19 mil pessoas mensalmente e conta com uma equipe composta por 210 funcionários.

Enquanto isso, a Iase continua sob investigação da Polícia Federal. A organização social recebeu um total de R$ 123,7 milhões da Prefeitura durante a atual gestão do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), que também é alvo da Operação Copia e Cola, deflagrada em 10 de abril. Os pagamentos foram realizados por meio de contratos estabelecidos entre 2021 e 2024 e estão disponíveis para consulta no Portal da Transparência da prefeitura.

Os contratos abrangem tanto a administração da UPA do Éden quanto da UPH Zona Oeste. Os valores pagos anualmente à Iase são os seguintes: R$ 15.375.680,90 em 2021; R$ 31.484.972,05 em 2022; R$ 35.259.018,68 em 2023; e R$ 41.664.241,78 em 2024.

Em avaliação realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), a contratação emergencial da Aceni foi considerada irregular por falta de justificativas adequadas para tal urgência e pela falta de comprovação da economicidade das despesas. Com isso, todos os pagamentos referentes ao ano de 2021 foram classificados como irregulares.

A Iase afirmou em nota que apenas o contrato relacionado à UPA do Éden está sendo investigado e reiterou sua disposição em colaborar com as autoridades competentes.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 24/05/2025
  • Fonte: FERVER