Aumento do preço do café gera onda de roubos em Minas

Cafeicultores buscam segurança e apoio para proteger suas colheitas

Crédito: Reprodução - EPTV

O crescente valor do café, que atualmente ultrapassa os R$ 2,5 mil por saca, tem chamado a atenção de criminosos e gerado preocupações significativas entre os cafeicultores do Sul de Minas. Em resposta à escalada dos furtos e roubos, muitos produtores estão optando por investir em segurança particular.

A cafeicultora Alessandra Peloso, proprietária de uma propriedade em Ilicínea (MG), expressa seu temor após ter sido vítima de roubos em três ocasiões e ter enfrentado uma tentativa recente. “Eu não durmo porque fico acordada a noite toda, temendo qual será o próximo horário em que serei roubada novamente”, desabafa.

Alessandra descreve a angústia de encontrar sua propriedade arrombada e os esforços frustrados para proteger sua colheita. “É uma sensação horrível ao perceber que alguém tentou roubar o que você dedicou um ano inteiro para cultivar. Não aguento mais essa situação; é extremamente triste”, lamenta.

Diante da ineficácia das ações convencionais de segurança pública, serviços como o de rondas particulares têm ganhado destaque na região. O agente de segurança Alexandre Freitas, que atua nesse setor há três anos, menciona que a demanda por seus serviços tem aumentado substancialmente. “Meu celular não para de tocar com pedidos para contratação, mas infelizmente não consigo atender a todos”, explica Freitas.

Ele realiza patrulhamentos noturnos com o auxílio de uma motocicleta, complementando as medidas de segurança em áreas estratégicas com a presença de outro agente durante períodos de maior movimento, como festas locais. Freitas também mantém contato direto com as equipes da Polícia Militar para acionamento imediato em caso de incidentes.

Em um esforço coletivo para aumentar a segurança, o Sindicato Rural de Boa Esperança sugere que produtores se unam na aquisição de equipamentos como câmeras de monitoramento com tecnologia avançada. O presidente do sindicato, Henrique Pacheco, enfatiza a importância da colaboração entre vizinhos para criar uma rede segura, incluindo grupos no WhatsApp.

A cafeicultora Giovanna Lamaita já implementou medidas proativas após um assalto a um vizinho, instalando 16 câmeras em sua propriedade e adotando práticas rigorosas para garantir a segurança. “A fazenda não armazena café; tudo que é colhido é imediatamente transportado em horários variados”, detalha.

Para combater esses crimes, a Polícia Militar lançou a “Operação Agrogerais Segura”, intensificando o patrulhamento nas zonas rurais e promovendo reuniões com os agricultores locais para discutir estratégias de segurança. A tenente-coronel Bianca Grossi assegura que haverá um aumento significativo nas operações nas áreas afetadas.

A Polícia Civil também participa ativamente através da “Operação Campo Seguro”, focando na prevenção e orientação aos produtores. Em casos de roubos, as autoridades aconselham contra reações impulsivas e reforçam a importância da prevenção através da consulta à polícia local sobre melhorias na segurança das propriedades.

Essas iniciativas visam proporcionar maior proteção aos cafeicultores em um cenário onde a segurança no campo se torna cada vez mais crucial diante das ameaças crescentes.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 16/04/2025
  • Fonte: Sorria!,