Audiências públicas sobre o antigo lixão da Alvarenga

A participação da sociedade nas audiências que acontecem hoje (03/09) e quinta (04/09) é importante para a discussão sobre a instalação de uma usina de incineração de lixo

Crédito: Flaviana Serafim

Segundo especialistas, a empreitada é ilegal, já que o espaço está localizado em Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais da Bacia Hidrográfica da Represa Billings. Com certeza, é um assunto polêmico e, como sempre, em obras de grande magnitude e impacto, é comum vermos manifestações contrárias de grupos organizados ou da própria comunidade. É nessa hora que o processo de comunicação é essencial, porém muitas vezes ineficientes.

O professor Backer Ribeiro Fernandes elaborou tese sobre a importância dos processos de comunicação nos licenciamentos ambientais. A tese propõe um plano de comunicação que contemple todos os envolvidos/ impactados direta ou indiretamente por qualquer empreendimento.

A pesquisa qualitativa levantou 37 Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (RIMA) de obras que aconteceram no estado de São Paulo entre os anos de 1987 a 2011, e chegou à conclusão que, como no lixão do Alvarenga agora, os processos de comunicação são deficientes.

Apresentada em abril no 2º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana – CONFIBERCOM, em Braga, Portugal, a tese foi considerada como diferencial sob o ponto de vista de gestão democrática na implantação de empreendimentos de grandes impactos socioambientais.

Para Backer, “Em geral, os planos não deram conta do tamanho dos empreendimentos, bem como do alcance de seus impactos”. Considera que, embora fazendo parte do processo de licenciamento ambiental, a comunicação assumiu um caráter meramente informativo e de divulgação de mensagens do interesse dos empreendedores.

O ideal, segundo o autor da tese, seria tornar a comunicação o mais eficiente possível, estabelecendo estratégias para os diferentes públicos, suas características e prioridades, bem como os canais mais eficientes para que ser garanta a assertividade das mensagens para que decisões importantes do processo de licenciamento.

Backer propõe um Plano de Comunicação ancorado em três etapas: 1 – diagnóstico sobre o empreendimento e o contexto que o cerca; 2 – planejamento das estratégias e ações; 3 – gestão estratégica da comunicação na sua implementação e controle.

Orientador da tese, o professor Wilson Bueno afirma que o trabalho apresenta uma contribuição efetiva na medida que propõe posturas e práticas de comunicação compatíveis com uma nova realidade, comprometida com o conceito abrangente de sustentabilidade.

Segundo o professor Backer “Por meio da disponibilização de informações claras e oficiais é possível instalar um debate entre todos os interessados, obtendo como resultado informações e respostas que podem colaborar e contribuir com o desenvolvimento de um empreendimento sustentável. A comunicação é um ganho para o empreendimento na obtenção de informações que podem ser utilizadas em todas as etapas do processo. É uma consultoria que se obtém de graça”.

Os ideais do agora doutor em comunicação, é extrapolar os muros da universidade e levar esses conceitos para a prática. Um de seus primeiros passos é fazer parte do SustenCOM – Observatório de Comunicação, Responsabilidade Social e Sustentabilidade, que tem como objetivo criar mecanismos que possam propor ações comunicativas capazes de contribuir para novas intervenções sociais.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 16/08/2023
  • Fonte: Sorria!,