Atletas de elite correm risco maior de gordura arterial
Estudo revela que atletas masculinos de resistência têm risco elevado de aterosclerose; mulheres parecem ter proteção natural. Confira os detalhes!
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 06/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Um novo estudo publicado no European Heart Journal aponta que atletas do sexo masculino que se dedicam a exercícios de resistência intensa por longos períodos apresentam um risco elevado de desenvolver aterosclerose coronariana, uma condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias do coração.
Esse acúmulo pode resultar em um endurecimento e estreitamento das artérias, o que dificulta a circulação de sangue, oxigênio e nutrientes para o coração. Consequentemente, essa situação aumenta a probabilidade de problemas cardíacos, incluindo a doença arterial coronariana (DAC), que é a principal causa de morte súbita em atletas com mais de 35 anos.
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Especialistas consultados ressaltam que, embora a prática de atividades físicas continue sendo altamente recomendada por seus benefícios na redução de fatores de risco, o desafio reside no fato de que a aterosclerose muitas vezes não apresenta sintomas até estar em um estágio avançado. Portanto, a realização regular de check-ups é enfatizada como uma medida preventiva essencial.
A pesquisa se baseou na análise de dados coletados por meio de exames de imagem cardíaca, como tomografias, além da revisão de casos clínicos e estudos anteriores relacionados ao tema.
Os resultados do estudo indicam que a prática moderada e regular de exercícios está associada à diminuição significativa dos riscos cardiovasculares. Entretanto, observou-se que homens atletas de alto rendimento têm uma prevalência maior de acúmulo de lipídios, cálcio e outras substâncias nas paredes arteriais em comparação com mulheres e indivíduos menos ativos.
No caso das atletas femininas, os dados sugerem que a prática de exercícios intensos e com elevado volume não parece aumentar o risco de aterosclerose. A condição nelas parece estar mais correlacionada ao envelhecimento e a fatores como hipertensão, níveis elevados de colesterol e tabagismo.
Essas descobertas levantam a hipótese de que as mulheres possam ter uma proteção natural contra os efeitos adversos do treinamento intenso sobre as artérias. Tal proteção pode estar ligada a diferenças hormonais, anatômicas e nos padrões de treinamento. Contudo, os pesquisadores ressaltam que essas explicações ainda necessitam ser confirmadas.
Uma das teorias sugeridas para explicar a maior incidência entre homens relaciona-se ao impacto dos exercícios intensos sobre o sistema imunológico. Durante esforços físicos extremos, o corpo desencadeia uma resposta inflamatória temporária; se essa situação ocorrer frequentemente, poderia acelerar o processo de aterosclerose.
Outro aspecto relevante é a dieta dos atletas masculinos, que frequentemente consomem um volume maior de calorias, incluindo quantidades elevadas de gorduras e carboidratos para sustentar suas atividades físicas intensas. Esse aumento no consumo energético pode facilitar o depósito de substâncias gordurosas nas artérias.
A predisposição genética também foi identificada como um fator crucial. A interação entre fatores genéticos e o tipo/intensidade do exercício realizado pode influenciar o desenvolvimento da doença cardiovascular.
Embora essas associações tenham sido destacadas no estudo, os pesquisadores alertam que as causas exatas ainda permanecem incertas. Mais investigações são necessárias para compreender melhor as diferenças relacionadas ao sexo biológico, etnia e modalidades esportivas.
Muitas das teorias existentes atualmente são conjecturas que carecem de validação científica. Além disso, vale ressaltar que os estudos realizados até agora focaram principalmente em atletas brancos, mesmo sabendo que raça e etnia desempenham papéis significativos no risco cardiovascular.