Artigo de Tarcisio Secoli sobre a história de um casal de catadores

“Da reciclagem ao trabalho e renda, da coleta seletiva à triagem e ao matrimônio”. Lucia e Reginaldo tem casamento marcado: 14 de novembro

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Lucia e Reginaldo, como tantas outras pessoas, viveram alguns reveses na vida. O pior deles foi quando se viram fazendo catação no antigo lixão do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, para subtrair dali a própria sobrevivência. Vida dura, sofrida e suada.

Com o fechamento do lixão, de novo a vida dava voltas. Mas, desta vez para melhor. Eles se integraram a uma das associações de catadores criadas pela Prefeitura com o propósito de acolher estas pessoas, o que garantiu trabalho e cerca de um salário mínimo ao mês de renda com a triagem e comercialização dos materiais.

Mais de dez anos se passaram desde a saída das pessoas do lixão. Lucia e Reginaldo ajudaram com trabalho as duas associações. Lucia, mulher de fala mansa que, com olhar profundo e maternal, põe ordem e conforta as pessoas. Reginaldo, igualmente de fala mansa, com seus gestos e palavras firmes organiza a produção, colocando os trabalhadores em sintonia com a chegada, triagem e saída dos materiais.

Mas a vida segue dando voltas. Com a implantação do programa de coleta seletiva em 100% em São Bernardo do Campo, as duas associações foram convertidas em cooperativas (Cooperluz e Reluz) e obtiveram o direito de uso das duas novas centrais de triagem criadas pela Prefeitura. Reginaldo e Lucia trabalham agora na Cooperluz, uma central de triagem semiautomatizada com capacidade para processar até 100 toneladas por dia. Hoje, a Cooperluz processa mais de 25 toneladas diárias, o que pode significar uma renda de mais de R$ 1.500 mensais para cada trabalhador.

Somado à produção da Reluz, os 129 catadores e catadoras das duas cooperativas, atualmente, contribuem com a retirada de mais de 40 toneladas diárias de matérias que antes eram enviados ao aterro sanitário.

Em média, cada habitante gera cerca de 1 kg de lixo por dia em São Bernardo, totalizando mais de 800 toneladas de lixo diariamente, dos quais Lucia, Reginaldo e tantas outras pessoas retiram hoje com seus trabalhos, suores e sorrisos cerca de 5%. A meta é retirar 80 toneladas por dia de materiais recicláveis até o fim de 2016, perfazendo 10% de reciclagem, índice que muitos países e cidades não atingiram até agora. A retirada destes materiais de circulação, ou pior, da má deposição, também complementa o programa de macro e microdrenagem, contribuindo para evitar os alagamentos históricos da cidade.

Do lixão à reciclagem, da catação à triagem, da associação à cooperativa, a vida de Lucia e Reginaldo se transforma e dá sentido à sustentabilidade, à preservação do meio ambiente, ao amor e à família constituída e criada com os sorrisos e esforços do trabalho, amparados pelas ações para tornar São Bernardo do Campo uma cidade cada vez melhor de se viver. Município que recicla, que gera trabalho e renda e possibilita que Lucia e Reginaldo concretizem seus sonhos, entre os quais formalizar um casamento que já dura anos e que será celebrado na Cooperluz no dia 14 de novembro de 2015. A eles, meus sinceros desejos de felicidades e meus agradecimentos a todos os catadores e catadoras pelo importante trabalho realizado.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 12/11/2015
  • Fonte: Farol Santander São Paulo