Aquecimento global coloca pinguins-imperadores em risco
Especialistas alertam sobre a urgência de ações climáticas para salvar a espécie
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 11/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O aquecimento global está impactando severamente a reprodução e a sobrevivência dos pinguins-imperadores, levando a um alarmante derretimento do gelo em seus habitats naturais. Um novo estudo, divulgado nesta terça-feira (10), revela que a população dessa espécie diminuiu cerca de 22% nos últimos 15 anos nas regiões dos mares de Weddell e Bellingshausen, uma queda consideravelmente mais acentuada do que as estimativas anteriores sugeriam.
A pesquisa, publicada na prestigiada revista “Nature Communications: Earth & Environment”, analisa dados de 16 colônias localizadas na península Antártica. Os cientistas, liderados por Peter Fretwell do British Antarctic Survey (BAS), apontam que essa diminuição é “aproximadamente 50% pior” do que o previamente calculado.
Fretwell descreveu os resultados como um retrato desolador das consequências das mudanças climáticas. “As populações estão diminuindo mais rapidamente do que imaginávamos, mas ainda há tempo para reverter essa situação”, afirmou o pesquisador. Estimativas anteriores previam uma redução de apenas 9,5% entre 2009 e 2018.
O derretimento do gelo tem comprometido seriamente as áreas de reprodução dos pinguins. Em eventos recentes, algumas colônias registraram a perda total de filhotes devido ao colapso do gelo, fazendo com que os jovens pinguins caíssem no mar antes de estarem aptos a enfrentar as condições adversas do oceano congelado.
Desde o início do monitoramento em 2009, a nova pesquisa sugere uma tendência decrescente contínua na população de pinguins. Fretwell ressalta que esse declínio pode ser atribuído principalmente às mudanças climáticas, que também trazem outros desafios, como chuvas intensas e aumento da presença de predadores.
Os pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri) são uma das espécies mais afetadas pelas alterações climáticas, com aproximadamente 250 mil casais reprodutivos registrados na Antártica, conforme um estudo anterior de 2020. O ciclo reprodutivo desses animais é singular; enquanto o macho mantém o ovo aquecido durante o inverno, a fêmea parte em busca de alimento e retorna para regurgitar a comida aos filhotes.
Os filhotes precisam desenvolver penas impermeáveis para sobreviver sozinhos, um processo que geralmente começa em dezembro. Fretwell expressou esperança de que os pinguins possam se deslocar para áreas mais ao sul, onde as temperaturas são mais amenas, embora não se saiba quanto tempo conseguirão resistir nessas novas regiões.
Modelos computacionais projetaram que a espécie poderia estar à beira da extinção até o final do século se as emissões humanas não forem drasticamente reduzidas. No entanto, os novos dados indicam que esse cenário pode ser ainda mais sombrio. “Precisamos reavaliar esses modelos à luz das novas informações”, comentou Fretwell.
Apesar da gravidade da situação, o especialista sublinha que ainda existe uma oportunidade para mitigar a ameaça aos pinguins-imperadores. “É provável que perdamos muitos deles ao longo do caminho, mas se ações concretas forem tomadas para reduzir ou até reverter nossas emissões climáticas, ainda podemos salvar essa espécie icônica”, concluiu.