Anvisa promete reduzir filas e modernizar análise de medicamentos
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anuncia plano para acelerar registros, reforçar equipes e usar IA, com meta de cortar filas pela metade em seis meses
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 25/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Em um anúncio considerado histórico pelo setor regulatório, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou um pacote robusto de medidas para reduzir drasticamente o passivo de registros e pós-registros de medicamentos, dispositivos médicos e outras tecnologias em saúde. A meta é ambiciosa: reduzir as filas pela metade em seis meses e normalizar o fluxo regulatório ainda em 2026.
As ações foram detalhadas durante a plenária do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (G6), realizada no Hospital Israelita Albert Einstein, onde representantes do Ministério da Saúde, Anvisa, Fiocruz, Opas e diversos órgãos do governo apresentaram avanços tecnológicos e estratégicos para fortalecer a produção e o acesso à saúde no país.
Modernização regulatória é prioridade para destravar inovação

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, apresentou um diagnóstico claro e ações concretas para enfrentar gargalos históricos. Ela destacou que a agência vem trabalhando em três pilares:
- Melhoria de processos internos
- Reforço das equipes técnicas
- Apoio tecnológico e modernização digital, incluindo uso de inteligência artificial
Segundo o diretor, o objetivo central é assegurar que a análise regulatória seja mais rápida, eficiente, previsível e alinhada às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
Em sua fala, ele foi enfática ao apresentar a meta principal:
“O nosso objetivo é reduzir as filas da análise pela metade em seis meses e normalizar o andamento da situação da análise.”
A promessa inclui não apenas acelerar aprovações, mas também garantir maior transparência, gestão de risco e estabilidade nos processos regulatórios.
Passivos começam a cair: dispositivos médicos já têm redução de quase 40%

Um dos setores mais críticos, o de dispositivos médicos, já apresenta resultados concretos. A agência relatou que uma força-tarefa está em pleno funcionamento e já acumula avanços importantes.
De acordo com Leandro:
“A gente já, com essa força-tarefa, reduziu o passivo dos dispositivos médicos. A carga é de quase 40%.”
Ela explicou que um dos maiores problemas estava na área de materiais, que agora passa por redesenho de fluxos, revisão de prazos e aplicação de uma matriz de risco sanitária mais moderna para priorizar análises essenciais.
A Anvisa também estabeleceu categorias de dispositivos para avaliação rápida, com as primeiras famílias de produtos entrando em triagem na próxima semana.
Filas de radiofármacos e biológicos entram em fase final de solução

Outro destaque importante da apresentação foi a situação dos radiofármacos, considerados críticos para diagnósticos e tratamentos oncológicos. A agência anunciou que a fila está próxima de ser totalmente eliminada:
“A nossa fila de radiofármacos está sendo zerada agora.”
No caso dos medicamentos biológicos, a redução também já é expressiva:
“Os prazos já se reduziram de 22 para 9 meses.”
Essas melhorias refletem mudanças estruturais, como novas metodologias de avaliação, redistribuição de equipes e força-tarefa dedicada ao setor.
Investimento tecnológico: IA ajudará a analisar processos regulatórios

A modernização tecnológica foi apontada como elemento chave para cumprir a meta de redução de filas. O Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 25 milhões para apoiar a transformação digital da Anvisa, incluindo sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial.
O diretor explicou:
“O investimento do Ministério da Saúde é importante de melhoria para a agência… o investimento em armas agências vai trazer uma série de benefícios, mais eficiências, mais estabilidade e mais precisão do nosso processo.”
Entre os usos previstos da IA estão:
- Classificação de risco automatizada
- Otimização de respostas técnicas
- Identificação de inconsistências
- Apoio à priorização de processos
- Integração de dados regulatórios
- Monitoramento de filas em tempo real
A agência também anunciou a criação de uma Sala de Situação, que integrará dados, métricas e alertas sobre todas as etapas do processo regulatório, um passo importante para transparência e previsibilidade.
Reforço de pessoal: maior ampliação desde 2014

Outro ponto considerado decisivo é a chegada de 102 novos especialistas em regulação, que iniciaram curso de formação no mesmo dia do evento. Trata-se da maior ampliação de força de trabalho da agência em mais de uma década.
Safatle destacou a relevância desse movimento:
“É a maior ampliação de força de trabalho que a agência tem desde 2014.”
E completou:
“A prioridade para os servidores é para a área de registro e pós-registro da agência. Nós vamos dobrar as equipes críticas na área de registro de medicamentos.”
O reforço também inclui aumento de 30% na equipe de inspeção e concursos futuros nas áreas de engenharia e tecnologia regulatória.
Inspeções também terão salto de eficiência

A Anvisa apresentou resultados concretos na redução do passivo de inspeções, após instituir uma nova matriz de risco:
- Passivo caiu de 309 para 149 inspeções
- Resultado corresponde a redução de 52%
A matriz prioriza risco sanitário real e alinhamento internacional
Segundo Leandro:
“Essa matriz de risco está otimizando o nosso processo de análise e exibindo esse resultado de 36%.”
O impacto é direto na liberação de produtos, registro de plantas fabris e aprovação de linhas produtivas — etapas essenciais para as PDPs e para a indústria nacional.
Parcerias e comitês regulatórios aceleram processos

Durante a plenária, a Anvisa anunciou a criação de um comitê de acompanhamento regulatório, que vai priorizar tecnologias estratégicas e acelerar análises específicas.
Os três primeiros projetos selecionados para tramitação prioritária são:
- Colina Alumínio
- Robobarca
- Endocrótica Vascular
Também foi anunciada a criação de um grupo técnico sobre teletrabalho, reorganizando rotinas internas para maior produtividade.
Redução de filas é tratada como missão institucional
A Anvisa deixou claro que a redução das filas não é uma ação pontual, mas parte de um plano estratégico que combina:
- Reforço de pessoal
- Nova cultura de gestão por resultados
- Digitalização profunda dos processos
- Cooperação com organismos internacionais
- Dialogo direto com o setor regulado
- Monitoramento em tempo real das metas
O representante da Anvisa reforçou que todas as medidas foram elaboradas com apoio técnico e alinhadas às urgências do país:
“Estamos sempre querendo construir e ter esses técnicos regulatórios para ajudar na resolução.”
Um salto para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde

A modernização da Anvisa é considerada crucial para o avanço do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). Sem previsibilidade regulatória, projetos estratégicos, incluindo os das PDPs, ficam travados.
Com filas reduzidas, processos digitalizados e maior estabilidade, o Brasil aumenta sua capacidade de:
- Produzir medicamentos essenciais
- Acelerar inovação
- Atrair investimentos
- Fortalecer laboratórios públicos
- Ampliar competitividade internacional
- Garantir acesso mais rápido a terapias e tecnologias para o SUS
O plano apresentado pela Anvisa representa uma das mais amplas reformas regulatórias recentes, e seu sucesso poderá reposicionar o país como referência em vigilância sanitária e inovação na saúde.