Anvisa proíbe suplemento que promete curar diabetes
Especialistas alertam para riscos e falta de comprovação científica
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 24/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Recentemente, um vídeo que circula nas redes sociais tem chamado a atenção ao prometer a cura da diabetes por meio de um suplemento alimentar denominado Insupril. Especialistas, no entanto, destacam que a diabetes é uma condição crônica sem cura, e substituir a medicação convencional por produtos não comprovados pode representar sérios riscos à saúde.
O produto em questão não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que levanta preocupações sobre sua segurança e eficácia. A Anvisa, após identificar a disseminação de informações enganosas, emitiu uma resolução que proíbe a comercialização do Insupril, ressaltando que este tipo de suplemento não pode alegar curar doenças.
A diabetes afeta cerca de 20 milhões de brasileiros, conforme estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes. A doença é resultante da incapacidade do corpo em produzir ou utilizar insulina adequadamente, um hormônio essencial para o controle dos níveis de glicose no sangue. As duas principais formas da doença são a diabetes tipo 1, que se origina da destruição das células que produzem insulina, e a tipo 2, relacionada à resistência à insulina e frequentemente associada à obesidade e ao estilo de vida.
De acordo com Ana Bonassa, PhD em Ciências pela Universidade de São Paulo e divulgadora científica, há uma preocupação crescente com a proliferação de informações falsas sobre a diabetes nas redes sociais. Ela alertou que muitos pacientes podem ser enganados por promessas de tratamentos milagrosos que não têm fundamento científico.
Recentemente, uma figura que se apresenta como médico foi flagrada fazendo afirmações infundadas sobre medicamentos convencionais, como a metformina. Este medicamento é amplamente utilizado e reconhecido por sua eficácia no tratamento da diabetes tipo 2, sendo essencial para evitar complicações graves relacionadas à doença. Profissionais da saúde reiteram que descontinuar o uso de medicamentos prescritos pode resultar em consequências fatais.
Fernando Valente, endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes, enfatiza a gravidade das falsas alegações. Ele explica que soluções milagrosas são ilusórias e coloca os pacientes em risco. O endocrinologista Levimar Araujo também reforça que interromper o tratamento padrão pode levar a situações críticas como coma hipoglicêmico.
Embora novos tratamentos estejam sendo explorados, como as canetas de semaglutida, desenvolvidas inicialmente para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, os especialistas concordam que esses tratamentos ainda não oferecem uma cura definitiva. A remissão pode ser possível com um manejo adequado do peso e do estilo de vida saudável, mas isso não elimina a necessidade de monitoramento contínuo da condição.
Por fim, é crucial que os consumidores se mantenham informados e céticos em relação às alegações feitas por produtos não regulamentados. A comunidade médica continua trabalhando para desmistificar a diabetes e fornecer orientações baseadas em evidências para aqueles que vivem com essa condição crônica.