Anvisa aprova novo remédio que retarda avanço do diabetes tipo 1
Nova decisão da Anvisa libera o uso do teplizumabe no Brasil para adiar o estágio clínico da doença em pacientes a partir dos 8 anos
- Publicado: 11/03/2026
- Alterado: 11/03/2026
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Anvisa
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) oficializou nesta segunda-feira (09/03) a aprovação do teplizumabe no Brasil. O medicamento representa um marco no tratamento endócrino, pois possui o potencial de retardar o início do diabetes tipo 1 em pacientes que já apresentam biomarcadores da doença, mas ainda não manifestaram sintomas clínicos severos.
A autorização concedida pela Anvisa foca em pacientes no estágio 2 da patologia, com idade igual ou superior a 8 anos. O objetivo central da terapia é postergar a transição para o estágio 3, fase em que a dependência de insulina externa torna-se indispensável para a sobrevivência do indivíduo.
Mudança de paradigma no tratamento imunológico
Até a decisão recente da Anvisa, a abordagem terapêutica para o diabetes tipo 1 no país era predominantemente reativa. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o protocolo padrão baseava-se quase exclusivamente na reposição da insulina que o pâncreas deixava de produzir devido ao ataque autoimune.
“Com o novo medicamento, a ideia é intervir no processo imunológico que leva à destruição das células do pâncreas, o que pode retardar o seu aparecimento clínico”, aponta a nota técnica sobre o funcionamento do fármaco.
Diferente dos tratamentos paliativos, o teplizumabe atua diretamente na preservação das células beta. Essas células são as responsáveis pela produção de insulina, e sua preservação é o que garante ao paciente mais tempo sem a necessidade de múltiplas picadas diárias e monitoramento constante de glicemia.
Entenda os estágios de progressão da doença
A progressão do diabetes tipo 1 é dividida em quatro fases distintas. A intervenção aprovada pela Anvisa atua no momento crítico de pré-sintomatologia.
- Estágios 1 e 2: Fase pré-sintomática; já existem marcadores de autoimunidade no sangue.
- Estágio 3: Início da hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) e sintomas como sede excessiva, fadiga e visão turva.
- Estágio 4: Diabetes tipo 1 estabelecido de longa duração.
Eficácia comprovada em estudos clínicos
A base científica que sustentou o parecer favorável da Anvisa inclui estudos publicados no The New England Journal of Medicine. Os dados mostram que o medicamento foi capaz de adiar o diagnóstico clínico por uma mediana de dois anos em comparação ao grupo que recebeu placebo.