AmazonFACE recebe apoio da Funcamp em pesquisa inédita
Fundação administra R$ 100 milhões no maior experimento global sobre CO2 e mudanças climáticas
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 22/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Desenvolvido por meio de uma cooperação estratégica entre cientistas do Brasil e do Reino Unido, o AmazonFACE consolidou-se como o mais ambicioso experimento de ecologia tropical do mundo. O projeto tem como objetivo principal simular o aumento de gás carbônico (CO2) na atmosfera para prever a resposta biológica da floresta amazônica frente às mudanças climáticas.
Para garantir a execução plena desta iniciativa, a Funcamp (Fundação de Desenvolvimento da Unicamp) assumiu o suporte à gestão administrativa e financeira da equipe liderada pelo professor David Montenegro Lapola. Ele atua como coordenador do AmazonFACE e do CEPAGRI (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura).
O AmazonFACE utiliza a tecnologia FACE (Free Air CO2 Enrichment) para liberar dióxido de carbono (Free Air CO2 Enrichment) para liberar dióxido de carbono em uma área delimitada da floresta. A simulação projeta uma concentração atmosférica 50% maior do que a atual, permitindo uma análise precisa dos impactos ambientais.
“O experimento consiste em uma estrutura de torres de 35 metros de altura, capazes de ultrapassar as copas das árvores, dispostas em formato circular, formando um anel. Essas estruturas vão liberar o CO2. Dentro desses círculos, a gente tem um pedacinho de floresta intocada, na qual estudaremos o efeito do dióxido de carbono”, detalha Lapola.
Impacto nas políticas climáticas e cronograma
O legado do AmazonFACE vai além da coleta de dados brutos. A compreensão aprofundada sobre o funcionamento da maior floresta tropical do planeta será vital para direcionar decisões governamentais e globais.
“O uso desse conhecimento vai orientar políticas regionais sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas. E, é claro, que esse experimento é também muito importante para melhorar os modelos do clima e nos oferecer projeções mais confiáveis sobre o futuro da Amazônia”, afirma o coordenador.
A relevância do projeto foi destacada durante a COP 30, realizada em novembro em Belém (PA), onde foi apresentado a líderes globais. Sobre o cronograma, Lapola esclarece: > “A ideia é começar o experimento de fato entre maio e junho de 2026. Até lá, ainda teremos alguns testes sendo feitos”.
O papel estratégico da Funcamp
Enquanto a responsabilidade científica do AmazonFACE recai sobre pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unicamp, a complexa engrenagem administrativa está sob tutela da Funcamp. A fundação gerencia um montante superior a R$ 100 milhões em recursos, garantindo a fluidez necessária para uma operação deste porte.
Ricardo Friol, Analista de Projetos da Funcamp, destaca a importância dessa divisão de tarefas:
“Para que projetos grandiosos como esse possam ser executados, tanto o aspecto administrativo quanto o financeiro precisam caminhar de forma fluída, séria, competente e ágil. A Funcamp está administrando mais de R$ 100 milhões em recursos financeiros, para que o projeto aconteça da melhor forma”.
A gestão externa é crucial para otimizar o tempo dos cientistas. Dados apontam que burocracias como pagamentos, compras de insumos e contratações podem consumir até 30% do tempo do pesquisador.
“Estudos demonstram que a preocupação com a burocracia […] pode consumir até 30% do tempo do pesquisador, dificultando a execução do seu objetivo, que é o experimento científico. Com o apoio da Funcamp, o pesquisador pode concentrar seus esforços exclusivamente na execução técnica do projeto”, explica Friol.
A atuação da Funcamp no AmazonFACE abrange desde a prestação de contas financeiras até a aplicação de recursos conforme o Plano de Trabalho. Friol conclui ressaltando o orgulho institucional:
“Temos grande orgulho em fazer parte deste projeto, pelo legado relevante que deixará para o Brasil e para a comunidade científica internacional. Ressalta-se, ainda, que se trata do maior projeto de pesquisa já apoiado pela Funcamp em termos de volume financeiro”.