Alta nos combustíveis pressiona e Petrobras reage

Estatal negou defasagem nos preços e afirmou que não trabalha com calendário fixo de reajustes, mesmo sob pressão do mercado internacional

Crédito: (Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Petrobras afirmou nesta quinta-feira (3) que não trabalha com periodicidade fixa para reajustes nos combustíveis e negou que seus preços estejam defasados em relação ao mercado internacional. A posição foi apresentada em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários, que questionou a companhia após a divulgação de dados sobre possível distorção nos valores praticados no país.

O questionamento após divulgação de cálculos da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis, que indicavam que o diesel vendido pela estatal estaria até 86% abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresentaria uma defasagem de 64%.

A Petrobras contestou os números e afirmou que não reconhece a metodologia utilizada. Segundo a companhia, os preços seguem uma estratégia própria, baseada em condições internas de produção, refino e logística, e não em uma simples equivalência com o mercado externo.

Estratégia da Petrobras prioriza estabilidade e evita repasse imediato

Posto de gasolina
(Tânia Rêgo/Agência Brasil)

No comunicado enviado à CVM, a estatal reforçou que sua política busca reduzir o impacto da volatilidade internacional no mercado interno, especialmente em um momento de instabilidade provocado pela guerra envolvendo o Irã.

Segundo a empresa, os reajustes são feitos sem calendário fixo, com base em análises técnicas e critérios de governança, evitando repasses imediatos das oscilações do petróleo e do câmbio ao consumidor brasileiro.

A Petrobras também destacou medidas recentes, como o aumento de R$ 0,38 por litro no diesel A para distribuidoras, além da adesão ao programa de subvenção do governo federal, que garante um incentivo de R$ 0,32 por litro. De acordo com a companhia, o efeito combinado das medidas representa cerca de R$ 0,70 por litro.

Pressão política e preocupação do mercado

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(Ricardo Stuckert/PR)

A resposta ocorre em meio ao aumento da pressão sobre a política de preços da estatal, tema sensível para investidores e para o governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou recentemente o leilão de gás de cozinha realizado pela Petrobras, classificando o resultado como “bandidagem” após ágios superiores a 100%. O governo sinalizou a possibilidade de rever o certame, reforçando o discurso de controle sobre preços em um cenário de alta internacional.

Desde 2023, quando abandonou a política de paridade internacional, a Petrobras passou a adotar uma estratégia de reajustes mais graduais, deixando de acompanhar automaticamente as oscilações do mercado global. A mudança foi uma das promessas de campanha de Lula e segue no centro do debate sobre o equilíbrio entre controle de preços, inflação e sustentabilidade financeira da companhia.

  • Publicado: 03/04/2026 13:37
  • Alterado: 03/04/2026 13:37
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: Petrobras