Alexandre de Moraes mantém rede de aliados mesmo sob pressão internacional
Ministro do STF é alvo de críticas nos EUA, mas fortalece apoio entre nomes do Congresso, do governo Lula e até de aliados de Bolsonaro
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 17/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Apesar de ser alvo de críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, preserva uma sólida rede de alianças dentro da política brasileira. Essa articulação política garante a ele não apenas influência institucional, mas também proteção diante de investidas de adversários, como os recorrentes pedidos de impeachment feitos por parlamentares bolsonaristas.
A base de apoio de Moraes inclui desde figuras centrais do governo Lula até nomes próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Um exemplo emblemático é a proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e com o ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ambos têm sido peças-chave na blindagem contra tentativas de afastamento do ministro.
Mesmo após um grupo de 41 senadores apoiar publicamente o pedido de impeachment, Alcolumbre descartou totalmente a iniciativa, afirmando que não pautará a proposta “nem que os 80 senadores assinem”.
Laços além do STF
A atuação de Alexandre de Moraes no mundo político antecede sua chegada ao Supremo. Com passagem por partidos como PSDB, PFL (atual União Brasil) e PMDB (atual MDB), ele construiu uma teia de relações que seguem influentes. Seu elo com Geraldo Alckmin, atual vice-presidente e seu ex-chefe no governo de São Paulo, permanece ativo. Alckmin foi o responsável por lançá-lo na política em 2002, ao nomeá-lo secretário da Justiça.
O ministro também mantém diálogo com ex-presidentes da Câmara, como Rodrigo Maia, e até com Arthur Lira (PP-AL), embora essa relação seja marcada por tensões. Um episódio recente de atrito entre Moraes e Lira ocorreu após a prisão do ex-deputado Chiquinho Brazão, acusado de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
Outro ponto de apoio vem de sua articulação com o presidente Lula, com quem Moraes discutiu nomeações para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula chegou a organizar um jantar em solidariedade ao ministro no Palácio da Alvorada, após as sanções impostas por Trump.
Relações cruzadas com bolsonaristas
Mesmo com o histórico de embates com Bolsonaro, Moraes mantém contatos pontuais com aliados do ex-presidente. Entre eles estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Nogueira, inclusive, intermediou uma tentativa de reconciliação entre Bolsonaro e Moraes após as eleições de 2022, promovendo um encontro entre os dois em sua residência.
Tarcísio também demonstrou deferência ao ministro ao consultá-lo sobre a indicação do novo procurador-geral de Justiça paulista. O escolhido, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, tinha o apoio de Moraes, mesmo estando em terceiro lugar na lista tríplice.
Além disso, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, mantém uma relação de longa data com o ministro. Moraes foi decisivo para anular uma condenação do deputado no STF, reforçando os laços entre os dois.
Influência jurídica e política consolidada
A presença de Moraes no centro do poder jurídico e político nacional é fruto de uma trajetória construída com base em articulações estratégicas. Sua indicação ao STF foi feita pelo ex-presidente Michel Temer, após uma atuação destacada como secretário de Segurança Pública de São Paulo — quando desmantelou uma tentativa de extorsão contra a esposa do emedebista.
Desde então, Moraes acumulou influência e protagonismo, especialmente ao assumir papéis centrais como relator dos inquéritos relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
No entanto, nem todas as suas relações políticas terminaram bem. Um exemplo é o rompimento com Gilberto Kassab (PSD), ex-prefeito de São Paulo, com quem trabalhou como “supersecretário”. A relação terminou em demissão, e Moraes passou a atuar como advogado até retornar à vida pública pelas mãos de Alckmin.