Alertas em bebidas alcoólicas: 91% dos brasileiros apoiam
Datafolha mostra que população quer regras mais rígidas para álcool, cigarro e ultraprocessados.
- Publicado: 17/02/2026
- Alterado: 30/10/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Serginho Lacerda
Uma esmagadora maioria dos brasileiros (91%) apoia a implementação de alertas em bebidas alcoólicas sobre riscos à saúde, de forma similar ao que já ocorre com maços de cigarro. A pesquisa, realizada pelo Datafolha em setembro a pedido da ACT Promoção da Saúde, revela um consenso nacional.
O levantamento, que ouviu 2.002 pessoas acima de 18 anos e possui margem de erro de dois pontos, sugere que o álcool deve ser tratado com a mesma seriedade que o tabaco, exigindo alertas em bebidas alcoólicas claros sobre seus perigos.
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Apoio popular vai além dos rótulos
O apoio não se limita apenas aos rótulos. A pesquisa detalha que 91% dos entrevistados querem avisos específicos sobre doenças crônicas, dependência e acidentes relacionados ao consumo.
Além disso, a sociedade cobra mais regulação na publicidade: 69% defendem restrições à propaganda de cervejas na televisão e em redes sociais, onde há alta exposição do público jovem. Outro ponto crítico é que 73% acreditam que a publicidade de cerveja “sem álcool” funciona como um atalho para incentivar o consumo das versões alcoólicas, driblando as regras atuais.
O desafio da regulação no Brasil
Marília Albiero, coordenadora da área de alimentação da ACT Promoção da Saúde, aponta uma falha regulatória significativa. Segundo ela, a responsabilidade sobre a rotulagem de álcool não está claramente definida sob a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), resultando em uma abordagem dispersa do tema em projetos legislativos.
Albiero destaca que, enquanto o tabaco possui regras robustas, o álcool carece de maior rigor. A urgência por alertas em bebidas alcoólicas é clara, mas a legislação patina. Ela compara a situação à dos ultraprocessados, onde a percepção de risco pela sociedade ainda não se traduziu em uma demanda forte por regulação efetiva.

Impostos como ferramenta de saúde pública
A legislação atual está defasada. Desde 1996, a propaganda é restrita apenas para bebidas com teor alcoólico acima de 13%, o que exclui a maioria das cervejas do controle publicitário.
A pesquisa também mostra forte apoio a medidas fiscais: 82% apoiam mais impostos sobre produtos de tabaco e 79% defendem o mesmo para o álcool, reforçando a demanda por alertas em bebidas alcoólicas. Esse apoio se estende a refrigerantes (67%) e bebidas adoçadas (66%).
Marília Albiero critica a contradição de uma reforma tributária, que busca impostos seletivos sobre produtos nocivos, manter benefícios fiscais para concentrados de refrigerante na Zona Franca de Manaus.
O combate ao tabagismo e cigarros eletrônicos
O controle do tabaco segue com forte aprovação popular. Sete em cada dez brasileiros (74%) são favoráveis ao aumento anual de impostos sobre cigarros.
Além disso, 78% acreditam que a indústria do fumo deveria compensar o SUS pelos custos decorrentes do tratamento de doenças relacionadas ao tabagismo. A pesquisa também revelou que 68% apoiam a proibição de aditivos de sabor em cigarros.
Notavelmente, 79% defendem a proibição total dos cigarros eletrônicos (vapes), cuja venda e propaganda já são vedadas pela Anvisa desde 2012.
Foco nos ultraprocessados e proteção infantil
O ceticismo com produtos nocivos chega aos alimentos. Para 72% dos entrevistados, produtos ultraprocessados não deveriam ser comercializados em cantinas escolares. Outros 61% apoiam restrições publicitárias focadas no público infantil.
Desde 2010, uma resolução da Anvisa que exige alertas sobre riscos à saúde nas propagandas desses alimentos segue paralisada na justiça. As contestações judiciais questionam a competência da agência e a liberdade comercial. A sociedade clama por alertas em bebidas alcoólicas e maior controle sobre o que é vendido às crianças.