Alertas de desastres por SMS têm falhas, aponta estudo
Pesquisa da PUCPR analisou 73 mil SMS de emergência e constatou que a comunicação falha ao não detalhar riscos e ações de proteção.
- Publicado: 12/10/2026 15:19
- Alterado: 12/10/2026 15:19
- Autor: Thiago Antunes
O sistema brasileiro de alertas de desastres via SMS apresenta falhas estruturais que comprometem a segurança da população. Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) revelou que apenas 1,83% das 73.701 mensagens analisadas entre 2018 e 2023 continham informações essenciais para uma comunicação eficaz.
As mudanças climáticas aceleram eventos extremos e exigem respostas rápidas das autoridades. O estudo mostra que a maioria dos alertas de desastres disparados pelos órgãos de proteção e defesa civil omite dados vitais para a sobrevivência humana durante enchentes e tempestades.
Elementos ausentes nos alertas de desastres

Os pesquisadores aplicaram o Modelo de Resposta a Alertas para avaliar o conteúdo recebido pelos cidadãos. A eficácia da comunicação depende de cinco fatores fundamentais: fonte oficial, identificação do perigo, localização, orientação de ação preventiva e janela temporal clara.
Quase todos os textos disparados indicam a fonte e o tipo de perigo iminente. O problema central surge no detalhamento prático dos impactos. O levantamento identificou que apenas 7,7% das mensagens explicavam os potenciais danos do perigo, ignorando riscos graves como alagamentos e desabamentos.
A localização da ameaça enfrenta imprecisões geográficas que dificultam a fuga. O estudo aponta que em 57,8% dos casos a indicação se limitava ao município, sem especificar o bairro ou a rua que sofreria os maiores impactos do evento climático.
Orientações genéricas prejudicam a proteção
Mensagens vazias confundem moradores em áreas de risco e atrasam evacuações. A instrução para evitar zonas perigosas domina os textos, mas carece de ações práticas adaptadas às necessidades de idosos, pessoas com deficiência e comunidades isoladas.
“Não basta enviar um alerta. Ao receber uma mensagem, a pessoa precisa conseguir identificar se está em risco e entender o que está acontecendo”, explica Luciene Pimentel da Silva, professora e pesquisadora da PUCPR.
O desafio técnico da limitação do SMS

A restrição técnica de 160 caracteres impõe um obstáculo severo para os alertas de desastres no país. Os autores do estudo recomendam a adoção imediata de estratégias integradas, combinando telefonia celular tradicional com tecnologias modernas como o Cell Broadcast.
“Um evento de evolução muito rápida pode exigir uma comunicação imediata e redundante, enquanto eventos mais lentos podem demandar atualizações sucessivas”, destaca Murilo Noli da Fonseca, pesquisador do projeto.
O aprimoramento tecnológico e a capacitação dos profissionais de emergência formam a base para uma mudança estrutural. O Brasil precisa criar protocolos rígidos e realizar simulações comunitárias constantes para transformar os atuais alertas de desastres em ferramentas reais de preservação da vida.