Alcolumbre resiste à pressão por votação acelerada da PEC 6x1
Presidente do Senado afirma que a PEC 6x1 terá tramitação regular e debate amplo, enquanto aliados apontam desconforto com mobilização política e pressão nas redes sociais
- Publicado: 04/06/2026 11:34
- Alterado: 04/06/2026 11:34
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem manifestado a aliados insatisfação com o que considera uma tentativa de acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo relatos de interlocutores, o senador avalia que há uma mobilização de setores ligados ao governo e à esquerda para pressionar o Senado a votar rapidamente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.
Apesar das cobranças, Alcolumbre tem reforçado que a proposta seguirá o rito legislativo normal e que os senadores terão tempo para discutir seus impactos antes de uma eventual votação em plenário.
Senado deve priorizar debate e análise técnica
Durante sessão realizada nesta semana, o presidente da Casa afirmou que a PEC não será encaminhada diretamente ao plenário e deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo ele, a matéria exige uma discussão aprofundada devido à sua relevância para trabalhadores, empregadores e para a economia do país.
A posição do senador é de que o Senado precisa ouvir diferentes setores da sociedade, incluindo representantes dos trabalhadores, empresários e especialistas, antes de deliberar sobre mudanças na jornada de trabalho.
Empresários intensificam articulação contra a proposta
A discussão ganhou força após uma reunião entre Alcolumbre e representantes do setor produtivo, incluindo integrantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
De acordo com participantes do encontro, empresários defendem a ampliação do debate público sobre possíveis efeitos econômicos da medida, como aumento de custos operacionais e impactos sobre preços de produtos e serviços. O objetivo é influenciar a opinião pública e ampliar a discussão sobre os reflexos da proposta no mercado de trabalho.
Mobilização nas redes sociais amplia pressão sobre senadores
Enquanto empresários articulam resistência à PEC 6×1, sindicatos, partidos de esquerda e movimentos sociais têm promovido campanhas nas redes sociais em defesa da redução da jornada de trabalho.
Entre as iniciativas está uma ação da Central Única dos Trabalhadores, que disponibilizou canais de contato de parlamentares para incentivar manifestações favoráveis ao texto. A mobilização busca aumentar a pressão popular sobre os senadores durante a tramitação da proposta.
Aprovação da PEC 6×1 depende de maioria qualificada
Para entrar em vigor, a PEC 6×1 precisa ser aprovada por pelo menos 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação. Caso o Senado faça alterações no texto aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.
Nos bastidores, parlamentares governistas avaliam que a tramitação pode enfrentar obstáculos caso a votação seja adiada para depois do período eleitoral. Já aliados de Alcolumbre afirmam que o presidente do Senado pretende garantir uma discussão ampla antes de qualquer deliberação.
Relação com o governo também influencia cenário político
O debate ocorre em meio a um momento de desgaste na relação entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, interlocutores apontam divergências recentes envolvendo indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos fatores que contribuíram para o distanciamento entre o senador e o Palácio do Planalto.
Embora a PEC do fim da escala 6×1 tenha forte apelo popular, o ritmo de sua tramitação no Senado ainda dependerá da capacidade de articulação política dos defensores e críticos da proposta nas próximas semanas.