Acordo de Paris encerra 2025 com 64 países sem novas metas

Uma década após o Acordo de Paris, o mundo entra em 2026 com atraso crítico em NDCs de grandes poluidores e lacuna no financiamento climático.

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Dez anos após a histórica assinatura do Acordo de Paris, o tratado internacional que visa frear o aquecimento global enfrenta um de seus momentos mais delicados. O ano de 2025 chega ao fim com um saldo alarmante: 64 nações ainda não entregaram suas novas metas climáticas, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). O atraso generalizado compromete o esforço coletivo para limitar o aumento da temperatura da Terra a 1,5°C em relação à era pré-industrial, objetivo central do pacto firmado na capital francesa.

Países do G20 lideram lista de atrasados no Acordo de Paris

A preocupação de especialistas e da ONU recai sobre o peso econômico e ambiental das nações que ignoraram os prazos. A Índia, atualmente a terceira maior poluidora do mundo, inicia 2026 devendo seus compromissos oficiais. Ao lado de Argentina e Arábia Saudita, esse grupo representa 10,5% das emissões globais de gases do efeito estufa.

Embora o prazo original do Acordo de Paris fosse fevereiro, e a extensão da UNFCCC tenha ido até setembro, o sistema oficial da ONU registrou apenas 131 protocolos até esta terça-feira (30). Para Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas no WWF-Brasil, o problema vai além da pontualidade. Ele destaca que, mesmo entre os países do G20 que entregaram seus documentos, as metas carecem de ambição real para eliminar o desmatamento e promover a transição energética definitiva.

O impasse financeiro e o desfecho da COP30 em Belém

O atraso na entrega das NDCs é reflexo direto de um impasse que marcou as discussões climáticas nos últimos dois anos: o dinheiro. Países em desenvolvimento condicionam suas metas a um financiamento adequado. A insatisfação cresceu após a COP29 selar um fundo de US$ 300 bilhões anuais, valor muito distante dos US$ 1,3 trilhão exigidos pelas nações mais vulneráveis.

Esse cenário de tensão transbordou para a COP30, realizada em Belém (PA). A presidência brasileira da conferência trabalhou para elevar o número de adesões ao Acordo de Paris, mas o desfalque de grandes poluidores prejudicou a análise técnica da ONU. Um relatório-síntese publicado no final de outubro terminou inconclusivo por não conseguir processar dados de países que, à época, ainda não haviam oficializado seus planos, como a própria União Europeia.

Projeções para 2035: Cenário exige corte de 60% nas emissões

Apesar do cenário de omissão, um relatório divulgado pela ONU durante a abertura da COP30 traz um dado que serve de alerta e esperança. Se todas as 86 NDCs analisadas recentemente forem cumpridas, as emissões de carbono devem cair cerca de 12% até 2035. No entanto, a ciência é implacável: para manter o aquecimento sob controle, o corte necessário seria de 60%.

  • Progresso Real: Sem o Acordo de Paris, a projeção de aumento nas emissões para 2035 era de até 48%.
  • Novas Análises: Espera-se que a UNFCCC elabore um novo relatório-síntese antes da COP31, na Turquia.
  • Liderança Brasileira: O Brasil deve produzir voluntariamente “mapas do caminho” para guiar o fim do desmatamento e dos combustíveis fósseis.

A qualidade das promessas climáticas feitas agora definirá a sobrevivência de ecossistemas inteiros na próxima década. O cumprimento rigoroso do Acordo de Paris deixa de ser uma opção diplomática para se tornar uma necessidade de sobrevivência global.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/12/2025
  • Fonte: Secult PMSCS