Ações bancárias mostram sinais de recuperação após queda
Setor financeiro reage após perder R$ 41,3 bilhões em valor de mercado
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 20/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Maria Clara e JP
No pregão da Bolsa desta quarta-feira, 20, as ações de instituições financeiras brasileiras estão apresentando uma leve recuperação, após sofrerem perdas consideráveis no dia anterior. O cenário negativo foi intensificado por recentes desenvolvimentos nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Às 10h37, logo após a abertura dos negócios, as ações do Santander se destacavam como as mais valorizadas do setor bancário, apresentando uma alta de 1,11%. O Banco do Brasil seguiu com um aumento de 0,6%, enquanto o Bradesco e o Itaú registraram incrementos de 0,5% e 0,35%, respectivamente. Por outro lado, o BTG Pactual era a única exceção em território negativo, com uma queda de 0,57%. O índice Ibovespa também registrava um avanço de 0,24%, alcançando 134.763 pontos.
Esse movimento de recuperação ocorre após uma significativa desvalorização do setor bancário, que viu R$ 41,3 bilhões evaporarem de seu valor de mercado na terça-feira. A reação do mercado foi provocada por declarações do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que indicaram a possibilidade de punições a instituições que aplicarem sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes.
A declaração foi feita durante um julgamento relacionado ao rompimento da barragem em Mariana (MG), no qual o STF afirmou que ordens judiciais e executivas de governos estrangeiros só têm validade no Brasil se ratificadas pela corte suprema nacional.
A questão ganha relevância no contexto das ações tomadas pelo governo Donald Trump contra Moraes, que é alvo da Lei Magnitsky. Esta legislação visa combater graves violações aos direitos humanos e permite o congelamento de bens e ativos do magistrado nos Estados Unidos, além de proibir entidades financeiras americanas de realizarem transações em dólares com indivíduos sancionados. Isso inclui também os serviços das bandeiras Mastercard e Visa.
O cenário se torna ainda mais complexo à medida que os ministros do STF consideram a possibilidade de punições aos bancos após discussões com representantes do setor financeiro sobre a utilização da Lei Magnitsky. A conclusão das conversas foi que não houve garantias suficientes de que as sanções financeiras não seriam aplicadas contra Moraes no Brasil, apesar das atuais restrições se limitarem a transferências internacionais.
Essa incerteza gerou preocupações significativas dentro do setor bancário. Dirigentes e presidentes de instituições financeiras consultados pela Folha expressaram receios sobre a escalada da situação, temendo possíveis represálias dos Estados Unidos às empresas brasileiras caso não aceitem as restrições impostas ao ministro.
Com Alexandre de Moraes sob sanção da justiça americana pela Lei Magnitsky, cresce a apreensão sobre como os bancos brasileiros com operações nos EUA poderão reagir diante dessa crise.