A nova dimensão dos livros e das escolas
Artigo de Antonio Luiz Rios*
- Publicado: 22/03/2013 16:47
- Alterado: 22/03/2013 16:47
- Autor: Redação
- Fonte: Assessoria
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A harmoniosa convivência do livro impresso, cada vez mais
bonito e lúdico, com o e-book é uma nova realidade do mercado editorial,
tornando infrutífera a discussão sobre o risco de extinção do primeiro. As
editoras, mais do que nunca, tornam-se provedoras de conteúdos e espaço de
produção criativa, no qual interagem autores, ilustradores, tradutores,
capistas, designers gráficos, revisores e, agora, os profissionais de TI
especializados na elaboração de edições digitais.
Eletrônicos ou impressos, não há livros de qualidade, em
todos os gêneros, inclusive os didáticos, sem boas ideias, criatividade e,
principalmente, ótimos conteúdos. Considerada essa premissa, o advento do
e-book, ao invés de limitante do livro convencional, agrega valor e acrescenta
novas experiências. Cria possibilidades instigantes e permite pensar em maior
interatividade e na exploração de todo o potencial das plataformas multimídias.
Para as novas gerações, sem dúvida, os formatos digitais são muito atrativos e
certamente contribuirão para ampliar o número de leitores, um objetivo do
mercado a serviço do País, pois somente a democratização do conhecimento
permitirá a permanente ascensão socioeconômica da população.
Alguns números referendam esses movimentos propiciados pela
tecnologia. Nos Estados Unidos, mais de 10% do mercado são cobertos por livros
digitais, significando faturamento de um bilhão de dólares. Isso equivale a
cerca de 20% das receitas das editoras norte-americanas. No Reino Unido,
aproximadamente 8% das vendas do mercado editorial são referentes ao e-book. Os
dados são de 2010.
Com a internet, a informação foi democratizada e a criação
estimulada. Esse avanço tem reflexos na produção de livros. O Google calcula
que, antes da Web, havia 130 milhões de títulos disponíveis. Depois de seu
advento, o número aumentou para 676 milhões. Surgiram novos leitores e autores
como resultado das novas possibilidades abertas pelos computadores, tablets e a
rede mundial. Tudo isso conspira a favor do livro. Cabe às editoras
disponibilizarem ao público versões de qualidade dos livros impressos e dos
digitais. As avançadas tecnologias da indústria gráfica e da eletrônica,
respectivamente, possibilitam que se atenda às duas vertentes com elevada
qualidade.
Para editoras como a nossa, com forte atuação no âmbito do
público infantojuvenil, o e-book é ainda mais relevante como mídia para a
expansão da leitura. Para essa nova geração de leitores, é muito simples baixar
conteúdos da internet por meio de computadores, ou via Apple Store ou Google
Play para tablets e celulares. A convergência de mídias, uma realidade já
concretizada, também permite ampliar as possibilidades do livro convencional:
com o uso da câmera fotográfica do tablet ou do smartfone apontada para as
páginas impressas, é possível ver imagens animadas em 3D.
As possibilidades são infinitas, contribuindo para o
estímulo à leitura. No caso dos livros didáticos, por exemplo, esses recursos
são fantásticos, conferindo vida aos elementos da biologia, a personagens da
história e aos fenômenos da natureza, com utilização possível em casa, nas
salas de aula e nas bibliotecas. Escolas particulares já estão utilizando os
tablets para professores e alunos, agregando aos conteúdos todas as possibilidades
de interatividade, pesquisa e informação em tempo real. A adoção do e-book
também nas escolas públicas, a partir de 2015, conforme anunciou o governo, é
um passo importante para a sua disseminação e também para o avanço da qualidade
do ensino no País.
Estamos diante de uma nova e irreversível dimensão do livro.
Compete-nos, como editores, prospectá-la com a máxima eficácia, para
multiplicar a base de leitores no Brasil.
*Antonio Luiz Rios, economista, é o diretor-superintendente
da Editora FTD.