6 pontos sobre a prisão do dono da Ultrafarma e do diretor da Fast Shop
Operação Ícaro investiga propinas de R$ 1 bi envolvendo grandes empresas
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 13/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A recente investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) resultou na prisão de Sidney Oliveira, proprietário da rede de farmácias Ultrafarma, e de Mário Otávio Gomes, diretor estatutário do grupo Fast Shop. As acusações giram em torno do pagamento de propinas para facilitar a liberação de créditos de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) a empresas do setor varejista.
De acordo com informações da promotoria, o esquema de corrupção pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas. Artur Gomes da Silva Neto, supervisor da diretoria de fiscalização da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), é apontado como o principal operador do esquema e foi alvo de uma prisão temporária, sendo acusado de elaborar e aprovar pedidos fraudulentos de créditos.
A Fast Shop declarou que ainda não teve acesso aos detalhes da investigação, mas está colaborando com as autoridades. A Ultrafarma e as defesas dos envolvidos foram contatadas, mas não houve resposta até o fechamento deste artigo.
Seis Aspectos Chave da Operação Ícaro
- Registro Empresarial Suspeito: A empresa Smart Tax, envolvida no esquema, está registrada em nome da mãe aposentada do auditor fiscal. Embora Artur Neto tenha ajudado a fundar a empresa, ele saiu do quadro societário em 2013. O contador da Smart Tax também é investigado.
- Patrimônio Irregular: Em um impressionante aumento patrimonial, a mãe do auditor declarou cerca de R$ 411 mil em 2021, passando para R$ 46 milhões em 2022 e atingindo R$ 2 bilhões em 2023. A investigação aponta que esse crescimento se deve à compra de criptomoedas.
- E-mails Reveladores: A análise dos e-mails de Artur Gomes da Silva Neto indicou comunicações com a Fast Shop que evidenciam sua atuação em benefício da alta cúpula da empresa, manipulando processos administrativos para garantir créditos fiscais.
- Propinas de Outras Empresas: Além das empresas já mencionadas, a investigação sugere que outras grandes corporações estão implicadas. O promotor Roberto Bodini optou por não divulgar os nomes para preservar o andamento das investigações.
- Comunicações Frequentes: A troca intensa de e-mails entre o auditor fiscal e a Ultrafarma foi notada, totalizando 174 mensagens em um único ano. A investigação indica que o auditor utilizava um certificado digital da empresa para realizar requerimentos diretamente à Sefaz.
- Apreensão de Bens: Durante as investigações, a polícia encontrou pacotes contendo esmeraldas e mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo na residência de um dos investigados, Celso Éder Gonzaga de Araújo, que juntamente com sua esposa foi preso sob acusação de envolvimento em lavagem de dinheiro.
A Operação Ícaro revela um complexo esquema envolvendo altos executivos e práticas ilícitas no sistema fiscal brasileiro. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes e responsabilizar os envolvidos neste grave caso de corrupção.