4 em cada 10 brasileiros estão endividados no inicio do ano
Levantamento inédito revela que 4 em cada 10 pessoas começam o ano no vermelho e 90% descartam viagens para a Copa do Mundo.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 08/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
O cenário fiscal do país impõe desafios imediatos, visto que os brasileiros endividados já representam 39% da população neste início de 2026. Dados de uma pesquisa inédita da Hibou, instituto especializado em monitoramento de consumo, indicam que a cautela ditará o ritmo das famílias nos próximos meses.
A pressão financeira se mostra severa e generalizada. Entre aqueles que possuem pendências financeiras, 30% acumulam débitos superiores a R$ 15 mil, enquanto outros 28% carregam dívidas entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. Esse panorama obriga o consumidor a adotar uma postura de racionalidade extrema, focada na quitação de débitos e na contenção de gastos supérfluos.
O impacto do pessimismo nos brasileiros endividados
A desconfiança em relação ao cenário macroeconômico agrava a situação e influencia diretamente o comportamento dos brasileiros endividados. Metade da população acredita que a economia vai piorar ao longo do ano, enquanto apenas 25% mantêm esperanças de melhora.
Esse ceticismo reflete a realidade dos bolsos: apenas 12% dos entrevistados afirmam começar 2026 com dinheiro sobrando. Ligia Mello, CSO da Hibou, analisa esse fenômeno como um “modo de sobrevivência estratégica”.
“Há uma consciência clara de que o cenário econômico é hostil, o que gera um movimento de ‘economizar tudo que posso’, desejo expressado por 48% da população. No entanto, o desejo de consumo reprimido por dívidas altas cria uma tensão entre a necessidade de quitar débitos e a vontade de realizar sonhos de consumo duráveis”, explica a executiva.
Prioridades: Renda extra supera o corpo ideal
A necessidade de reequilibrar as contas transformou as resoluções de ano novo. O desejo de “ganhar mais dinheiro” lidera a lista de prioridades para 57% da população, superando clássicos como “emagrecer” (45%) e “reformar a casa” (35%).
Essa busca por liquidez é uma tentativa clara de aliviar a carga que recai sobre os brasileiros endividados, que veem na qualificação profissional uma saída para a crise. A educação digital surge como grande aliada:
- 28% planejam estudar online para se qualificar.
- 21% pretendem finalizar graduações ou pós-graduações.
- 19% buscam transição de carreira para novas áreas.
O paradoxo do lazer e o desinteresse pela Copa
Mesmo diante de um orçamento restrito, o turismo permanece como uma válvula de escape emocional inegociável. Para 10% dos respondentes, viajar é uma experiência “libertadora”. Surpreendentemente, destinos internacionais (47%) superam a preferência por praias desertas (41%) e cidades históricas (38%).
Contudo, o maior evento esportivo do planeta não sensibilizou o bolso dos brasileiros endividados ou mesmo daqueles com contas em dia. A pesquisa aponta um dado contundente: 90% da população descarta viajar para acompanhar a Copa do Mundo da FIFA 2026 presencialmente.
O foco no bem-estar se volta para o cotidiano. A busca por qualidade de vida norteia 68% dos entrevistados, com 72% planejando manter atividades físicas regulares, consolidando a saúde mental e física como prioridade sobre grandes eventos.
Consumo consciente e insegurança futura
A estratégia de compra para os próximos meses será cirúrgica. A busca por valor real fará com que 44% dos consumidores cacem promoções ativamente e 19% utilizem cupons de desconto com frequência. O modelo de compra híbrido e o e-commerce seguem fortes, sustentando o interesse por bens duráveis como carros e imóveis.
Além da economia, a percepção de futuro é dura em outras frentes. Para 48% das pessoas, o meio ambiente deve piorar, e 45% preveem um agravamento na segurança pública. Diante disso, a atitude dos brasileiros endividados e não endividados converge para a autossuficiência: não esperar pelo governo, mas assumir o controle através da educação e do autocuidado.