Em julgamento, Zuckerberg nega que Instagram tenha crianças como alvo
O CEO da Meta enfrenta júri histórico sobre saúde mental de jovens e rebate acusações de que redes sociais lucram com o vício infantil.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 19/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O CEO da Meta, Zuckerberg, negou perante um júri que o Instagram permita o acesso de crianças menores de 13 anos. O depoimento ocorreu nesta quarta-feira (18) durante um julgamento inédito sobre vício em redes sociais.
O bilionário enfrentou pressão após a acusação apresentar documentos internos vazados. Esses arquivos sugerem que os pré-adolescentes eram um público-alvo estratégico para o crescimento acelerado da plataforma.
O processo contra as gigantes da tecnologia
O julgamento segue até o fim de março e avaliará a responsabilidade civil da Meta e do Google. O caso central envolve Kaley G.M., uma jovem de 20 anos que alega danos psicológicos severos.
Ela iniciou o uso do YouTube aos 6 anos e do Instagram aos 11. A autora argumenta que as plataformas alimentaram quadros de depressão e pensamentos suicidas visando o engajamento contínuo.
O advogado de acusação, Mark Lanier, questionou a ineficácia das restrições de idade. Ele ressaltou que crianças jamais leem os complexos termos de uso exigidos nos cadastros iniciais.
Zuckerberg confrontado com vazamentos do Instagram
A defesa apresentou registros alarmantes de 2015 sobre a demografia do aplicativo. Naquela época, o Instagram abrigava 4 milhões de usuários infantis. Simultaneamente, 30% das crianças americanas entre 10 e 12 anos já utilizavam a rede.
“Se quisermos vencer em grande escala com adolescentes, precisamos trazê-los quando ainda são pré-adolescentes.”
Essa diretriz constava em uma apresentação interna de 2018. Para se defender, Zuckerberg declarou que o advogado estava distorcendo o contexto e o propósito real das suas antigas diretrizes.
A questão do controle de idade e segurança
Para ilustrar as medidas de segurança, o executivo revelou discussões passadas sobre criar uma versão controlada do aplicativo para menores. O projeto, no entanto, acabou arquivado pela diretoria da companhia.
Zuckerberg argumentou que verificar a idade dos usuários representa um desafio técnico enorme para os desenvolvedores. Ele defende que a responsabilidade deveria recair primariamente sobre os fabricantes de celulares.
A situação piorou quando a acusação exibiu mensagens de Nick Clegg, ex-vice-presidente da Meta. O texto admitia internamente que os limites de idade da plataforma eram inaplicáveis na prática cotidiana.
Metas de engajamento e o futuro das redes
O tribunal também analisou e-mails antigos focados em retenção de tela. Os documentos provavam exigências executivas rigorosas para aumentar o tempo de uso em porcentagens de dois dígitos.
Zuckerberg reconheceu que a empresa estipulava metas agressivas de tempo no passado. Contudo, ele garantiu que a abordagem atual prioriza criar serviços úteis e promover conexões reais entre as pessoas.
O foco deste litígio recai exclusivamente no design, nos algoritmos e nos recursos de personalização das plataformas. A legislação dos Estados Unidos concede imunidade quase absoluta sobre o conteúdo gerado pelo próprio usuário.
Entender o peso dessas acusações exige observar o cenário jurídico amplo:
- Criação de um precedente legal para milhares de denúncias futuras.
- Avaliação técnica profunda sobre o design compulsivo de produtos digitais.
- Impacto direto e imediato nas políticas de uso e moderação das Big Techs.
Plataformas como TikTok e Snapchat firmaram acordos confidenciais antes do início dos debates judiciais. Resta aguardar o veredito sobre a conduta das corporações remanescentes no banco dos réus.
O resultado determinará se o mercado de tecnologia priorizou lucros em detrimento da saúde mental infantojuvenil. Independentemente do desfecho nos tribunais, Zuckerberg precisará lidar com o impacto prolongado desta profunda crise de confiança.