Zoológico de São Paulo muda rotina para aquecer animais no inverno

O Zoológico de São Paulo adota dieta especial, cobertores e recintos aquecidos para garantir o bem-estar dos animais durante o inverno

Crédito: Divulgação

Com a chegada da estação mais fria do ano, que começa oficialmente em 21 de junho, a rotina no Zoológico de São Paulo passa por mudanças estratégicas. O objetivo principal é reforçar e garantir o bem-estar e a saúde dos mais de dois mil animais sob os cuidados da instituição. Medidas como a oferta de sopas, chás de ervas, cobertores, aquecedores e o isolamento térmico dos abrigos fazem parte do plano preventivo para enfrentar a queda nas temperaturas.

Cuidados especiais e alimentação reforçada na estação fria

Entre os primeiros a receber atenção especial da equipe técnica estão os chimpanzés. Além de cobertores distribuídos para o período da noite, os primatas ganham um cardápio modificado. Eles passam a consumir caldos quentes preparados com ingredientes que já integram sua dieta regular, como cenoura, abóbora, beterraba, mandioca e batata-doce.

Para ajudar a aquecer, também são oferecidos chás naturais de cidreira, hortelã e erva-doce. Toda a preparação e o manejo alimentar são supervisionados diretamente por biólogos, veterinários e zootecnistas do Zoológico.

Enriquecimento ambiental e climatização de recintos

A introdução de alimentos aquecidos vai além do conforto térmico imediato. A gerência técnica do Zoológico destaca que a ação faz parte do programa de enriquecimento ambiental. Essa prática estimula os comportamentos naturais das espécies, desafia a cognição e melhora a saúde física e mental dos animais.

“A oferta de itens diferenciados e aquecidos funciona como um estímulo cognitivo importante, fazendo com que os animais gastem energia de forma saudável e interajam mais com o ambiente”, aponta a equipe técnica do parque.

Os cuidados específicos mudam conforme a necessidade de cada grupo:

  • Espécies de regiões quentes: Girafas, micos-leões e jabutis-gigantes-de-aldabra passam a noite em ambientes totalmente climatizados.
  • Répteis e anfíbios: Como dependem da temperatura externa para regular o calor corporal, contam com aquecedores ligados nos recintos durante todo o inverno.
  • Ajuste metabólico: Répteis recebem atenção extra com umidificadores e borrifação de água para combater o ar seco, além de uma dieta reduzida devido à letargia natural da época.
  • Pequenos mamíferos: Tamanduás, jaguatiricas e pequenos primatas têm seus abrigos reforçados com feno e folhagens para isolamento térmico.

Instinto natural: o sol como aliado no Zoológico

Nem todas as ações de proteção contra o frio dependem do manejo humano. Muitas espécies que vivem no Zoológico manifestam comportamentos naturais focados na conservação do calor corporal.

Os lêmures-de-cauda-anelada, por exemplo, costumam se sentar lado a lado nas primeiras horas da manhã, com os braços abertos e o peito voltado para o sol. Embora a cena lembre uma postura de meditação, trata-se de uma adaptação biológica para aquecer o corpo rapidamente após a noite fria. Os suricatos e os macacos-aranha adotam comportamento semelhante, posicionando-se em direção aos primeiros raios solares.

As aves também possuem seus mecanismos, arrepiando as penas para criar uma camada de ar isolante entre a pele e a plumagem, além de esconderem as patas para evitar a perda de calor. Já o tamanduá-bandeira usa a própria cauda peluda como uma barreira térmica ao se deitar. Em contrapartida, animais de clima frio, como os tigres-de-bengala, mostram-se muito mais ativos e dispostos nos dias de inverno do Zoológico.

  • Publicado: 16/06/2026 21:31
  • Alterado: 16/06/2026 21:31
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Zoológico de SP