Zema lança pré-candidatura e não descarta aliança com outros partidos

Governador admite mudanças na campanha se Bolsonaro quiser liderar a chapa

Crédito: Gil Leonardi / Imprensa MG

Na manhã deste sábado, 16, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República durante um evento realizado em São Paulo, que contou com a presença de um auditório lotado. “Meu sonho era ir ao circo“, revelou ele, logo após ser recebido no palco com a música “Que País É Esse“, do Legião Urbana, enquanto membros do seu partido se posicionavam para aplaudi-lo.

Embora a ocasião tenha sido marcada por uma atmosfera festiva e estratégica, Zema reconheceu que o cenário político pode sofrer alterações significativas, especialmente caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manifeste interesse em liderar a chapa. “Eu já participei de duas campanhas, em 2018 e em 2022, e sempre falo que, no decorrer da campanha, ajustes feitos pelos partidos políticos sempre são possíveis”, disse Zema, ao ser indagado sobre a possibilidade de desistir da candidatura em favor de Bolsonaro. Ele enfatizou que as mudanças são naturais na política e dependem de diálogos entre os partidos.

O governador elogiou Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu homólogo paulista e potencial candidato apoiado por Bolsonaro. No entanto, Zema acredita que a presença de múltiplos pré-candidatos na direita não seria um obstáculo para sua própria participação. “O cenário que eu vejo é a direita caminhar com vários pré-candidatos. E lá na frente, no segundo turno, todos estarão juntos”, destacou.

Durante seu discurso de aproximadamente 15 minutos, Zema não hesitou em criticar adversários políticos como o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele previu um “acerto de contas” com o que classificou como “três maiores inimigos desse país“: o lulismo, os parasitas do Estado e as facções criminosas. Zema prometeu um futuro governo focado em erradicar essas influências: “Vamos chegar a Brasília para varrer o PT do mapa e acabar com os abusos e perseguições do Alexandre de Moraes. Vamos libertar o Brasil”.

O governador também abordou a situação econômica do Brasil, alertando sobre os riscos de uma nova crise devido a práticas governamentais insustentáveis. Segundo ele, a crença de que gastos excessivos são sinônimo de prosperidade é um erro grave. “O Brasil caminha na direção de outra crise econômica porque caminha à base de anabolizantes”, comentou.

Em relação à sua visibilidade nacional, Zema minimizou as preocupações ao afirmar que já havia vencido duas eleições para governador em Minas Gerais mesmo sendo um novato na política. O estado foi um tema central em seu discurso, considerado crucial por sua localização geográfica e pela relevância política: é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e tem histórico de apoiar presidentes eleitos desde a redemocratização.

Zema compartilhou histórias pessoais sobre sua infância difícil e como a ida ao circo representava um luxo para sua família. Ele traçou sua trajetória até decidir se filiar ao Novo em 2018 como forma de protesto contra as tentativas do então governador Fernando Pimentel (PT) de reeleição. O governador admitiu que um dos maiores desafios será conquistar votos na região Nordeste, onde acredita que a direita ainda é sub-representada.

Ele argumentou que o programa Bolsa Família precisa ser repensado: “É preferível pagar o Bolsa Família por mais 3 ou 4 anos para quem está trabalhando do que continuar pagando por longos períodos para desempregados”.

O evento teve características semelhantes às TED talks e foi enriquecido com vídeos gerados por inteligência artificial que retratavam momentos da vida do governador. Realizado na Câmara Americana de Comércio na zona sul de São Paulo, o encontro não apenas marcou o lançamento da pré-candidatura de Zema, mas também celebrou os dez anos do Novo.

A atmosfera do evento foi marcada por faixas e adesivos pedindo o afastamento do presidente Lula e do ministro Moraes. A militância manifestou-se ativamente durante os discursos, ressaltando a nova postura do partido diante das críticas ao STF e defendendo uma maior mobilização popular através da música e outras expressões culturais.

Entre os oradores presentes estavam figuras proeminentes do partido que destacaram a evolução política do Novo nos últimos anos e reafirmaram seu compromisso com as críticas direcionadas ao STF.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 16/08/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show