Zema diz que sua candidatura é estratégia para fortalecer o Novo
Governador Romeu Zema detalha plano de candidatura e analisa o futuro da Direita, apostando na transferência de votos de Bolsonaro.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 16/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Em entrevista coletiva concedida na tarde de hoje em Santo André, durante evento do Lide Grande ABC, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), delineou com clareza a sua estratégia para as eleições presidenciais de 2026. Longe de ser apenas um projeto pessoal de poder, a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto funciona como uma tática para expandir a bancada do Partido Novo no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas.
Além de confirmar que levará seu nome até o fim na disputa, Zema disse não acreditar em uma reversão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, prevendo que seu espólio político será disputado entre os nomes do campo conservador, que seria facilitado caso Bolsonaro apadrinhasse um dos nomes da Direita.

A estratégia presidencial para fortalecer o Novo
Para Romeu Zema, a corrida presidencial é um meio para um fim maior: o crescimento orgânico e a relevância política do seu partido. Ele confirmou que sua pré-candidatura, lançada oficialmente em agosto, é um caminho sem volta, independentemente das movimentações de outros players políticos. “Sou oficialmente, pelo Partido Novo, pré-candidato. E iremos até o final“, declarou o governador mineiro, afastando qualquer especulação sobre uma possível desistência para apoiar outro nome em um primeiro momento.
A principal revelação da estratégia de Zema reside no objetivo de usar a visibilidade de uma campanha presidencial para impulsionar os candidatos do partido ao Legislativo. Em um sistema político onde um “puxador de votos” na disputa majoritária pode alavancar toda uma chapa, Zema aposta que sua presença no debate nacional resulte no crescimento de sua legenda.
“Faz parte da nossa estratégia você ter um candidato à presidência, você aumenta substancialmente as chances de eleger deputados estaduais e federais. Então, o nosso plano é exatamente esse“, revelou.
A meta é clara: transformar a exposição da candidatura presidencial em cadeiras no Congresso, garantindo que o Partido Novo tenha uma voz mais forte e influente na política nacional.

Unidade da direita em eventual segundo turno
Apesar de se lançar como um dos nomes da ala conservadora, Zema reconhece que não estará sozinho no campo da direita. Ele prevê um primeiro turno com múltiplos concorrentes, citando a “boa safra de governadores” que despontam como possíveis candidatos. Atualmente, nomes como Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo), Ratinho Jr. (governador do Paraná) e Ronaldo Caiado (governador de Goiás), além de Zema, estão no páreo pelos espólios políticos de Bolsonaro.
No entanto, Romeu Zema aposta na coesão do grupo em um eventual segundo turno contra um adversário de Esquerda. “O cenário mais provável é que já está se demonstrando que irá acontecer é nós termos alguns candidatos pela direita, com cada governador fazendo o seu caminho, mas, com toda certeza, estaremos juntos no segundo turno“, garantiu, sinalizando que a fragmentação inicial será superada por um objetivo comum.
O futuro da direita e o espólio político de Bolsonaro
Outro ponto central da entrevista foi a análise do governador sobre o futuro do seu campo político diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro e sua condenação pelo STF (Superior Tribunal Federal). Zema foi enfático ao criticar o processo que retirou os direitos políticos de Bolsonaro, mas também realista sobre as chances de uma reversão no processo condenatório.
O líder do Partido Novo não poupou críticas à decisão judicial, alinhando-se ao discurso de parte da Direita que vê o ato como uma manobra política. “Eu considero o julgamento quase que como uma perseguição política, uma pena desmedida“, afirmou. Para ele, a justiça brasileira tem atuado de forma mais política do que legal, ecoando um sentimento de desconfiança nas instituições que se tornou comum entre a classe conservadora.
Quanto a uma possível anulação da pena, o governador mineiro não se mostrou otimista: “Nós temos aí realmente a situação de não mais candidatura do Bolsonaro. Muito provavelmente isso não será revertido“, projetou.
Com Bolsonaro fora do páreo, a grande questão passa a ser quem herdará seu capital político. Na visão de Zema, esse espólio não migrará para a esquerda, mas será absorvido pelos candidatos do seu próprio espectro ideológico. Ele destaca, contudo, que o apoio explícito do ex-presidente será um fator decisivo. “Aquele que tiver o apoio dele (Bolsonaro) tem chances de absorver mais essa herança, já que nós temos um percentual da população extremamente ligado ao ex-presidente, que o admira muito“.
Para o político, a bênção de Bolsonaro é vista como crucial para canalizar o eleitorado mais fiel e garantir um “ganho extra” na complexa equação da sucessão presidencial de 2026.